Um avião cai. Duas centenas morrem. Um vírus novo se propaga. Quase uma centena morre, milhares ficam infectados. Uma pessoa famosa é acusada de pedofilia. O tráfico parando uma avenida movimentada com tiros. Uma criança morre de forma trágica. Lemos, vemos, ouvimos isso constantemente.
Mas normalmente cada uma de uma vez. Repararam a falta de informação sobre a “terrível nova gripa suína”? Pois então, vai um Airbus com muita gente e a notícia da doença nova vira folhetim passado. Alguém sabe o que aconteceu realmente com o pai assassino da Isabella Nardoni? Será que os sequestradores da filha do Silvio Santos continuam presos? O quê? Você nem lembra que ela foi presa? Então. “A filha dele é a Maisa? Não. né! Eu sempre me confundo com essas coisas familiares e desgracentas.”
Aparentemente nossas fontes de informação gostam de se focar no terrível. Na desgraça. Na infelicidade. Na tragédia. E parece que só uma tragédia é o suficiente para se trabalhar dinheiro e jornal por um bom tempo. A tragédia passada perde a graça, virou embrulho de peixe. Quanto tempo demora pro acidente aéreo esfriar?
E vocês, o que pensam disso? Qual o interesse que, inegavelmente, nós demonstramos frente a essas notícias? Sim, porque não adiante fingir que não bate alguma curiosidade. Podemos, em segundo plano, repensar isso e deixar pra lá. Mas no primeiro instante, na manchete, nós vidramos o olho na tela/página.
Será que alimentamos esse comportamento da mídia? Ou seria ela que alimenta nossa fome de acidentes, desgraças e tristezas? Para levantarmos o debate, não deixe de nos ouvir nessa quarta-feira às 22h.
Publicação original de 15/06/2009.