A frase do título foi tirada do filme O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa. Nada melhor para ilustrar o post de hoje. Obama mostrou, em seu discurso, um tom mais ameno do que foi usado em campanha. Entretanto, já vimos algumas mudanças reais nesses 10 dias de governo. Vejamos.
Obama já anunciou a suspensão dos julgamentos na base de Guantánamo em Cuba. Para lá eram enviados os acusados de terrorismo e inimigos dos Estados Unidos. Várias organizações que defendem os Direitos Humanos acusaram os EUA, durante o governo de Bush Jr., de manter tortura em Guantánamo. Obama também anunciou o fechamento da prisão no prazo de um ano e proibição do uso de tortura pela CIA. Além disso, Obama já prometeu a redução da emissão dos combustíveis fósseis, se inclinando, possivelmente, pra assinar o Protocolo de Kyoto, que Bush se recusou a assinar.
Hoje, o Senado deve aprovar um projeto de mais de 30 bilhões de dólares para planos de saúde nas crianças estadunidenses. Os EUA não possuem um sistema único de saúde público (pelo menos por enquanto) e a ideia de onde tirar o dinheiro é interessante: o imposto sobre o maço de cigarros subirá de 39 cents de dólar pra um dólar. Obama também congelou o salário dos que ganham acima de 100 mil dólares por ano, timidamente demonstrando algum nível de preocupação com a distribuição de renda (seu antecessor cortou os impostos dos mais ricos).
Entretanto, Obama ainda tem muitos desafios de grande porte pra enfrentar: a mediação do conflito entre Israel e palestinos, a gestão da crise e a recuperação da autoestima do povo americano. Em termos de soberania militar e imperialismo, não devemos esperar nada muito revolucionário. Entretanto, se suas atuais promessas forem cumpridas já ganhamos um bônus. E minha frase que atualmente é sobre Lula pode ser transferida a Obama: “Ruim com ele, pior sem ele.”
Publicação original de 29/01/2009. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.