Resenha de VANGUARD -of the muses-, de exist†trace (Free-Will, 2009). Nota: 9,0.

O novo miniálbum do quinteto feminino de visual rock vem pra provar a força do vaso mais fraco.

VANGUARD é um miniálbum para pegar de surpresa. Depois de mais de 5 anos em atividade, o quinteto formado apenas por mulheres vem com um som mais maduro e bem produzido, muito mais interessante do que muita coisa que vem sendo lançado atualmente.

Seria demais dizer que o trabalho delas é “inovador”, é verdade. Musicalmente elas trazem muito do que estamos habituados a ouvir em bandas visuais, mas só o fato de ter vocal feminino num instrumental não puxado para o pop já chama atenção.

A música tema, “VANGUARD”, inicia com um efeito engraçadinho e tem um ritmo bem agradável, dosando bem agressividade, não passando dos limites em nenhum momento. Essa música já vem pra mostrar o quanto a banda cresceu. Se antigamente tínhamos um exist†trace amador, cheio de guturais desnecessários e ritmos já batidos, no novo carro chefe as moças parecem ter descoberto como sua música funcionaria com os artifícios que elas possuem, não exageraram em parte alguma da faixa. Excelente trabalho.

O miniálbum segue com “ROUGE”. O início me lembra D’espairsRay, mais ou menos na época do Mirror, mas só o instrumental, quando começa o vocal já pode-se imaginar algo mais próximo de Taia ou Dazzle Vision. Essa já é mais rechada de guturais, mas ficaram bem encaixados, a música tem um clima interessante, típica de bandas visuais.

A terceira faixa, “Hana no sakanai machi”, é a mais interessante do álbum. Ela tem riffs pesados e repetitivos e o baixo se perde um pouco no excesso de sons em algumas partes da música, mas mesmo assim, é uma música que prende. Os efeitos no vocal que se estendem de uma parte próxima ao refrão da música até seu fim ficaram interessantes, o teclado também ficou bem legal, é agitada porém não cansativa e se desdobra muito bem do início até o fim da faixa, tão completa que é difícil perceber que são apenas três minutos e meio.

Embutida em “Hana no sakanai machi” vem “Requiem”. Não é uma faixa ruim, mas é a que menos chama atenção no miniálbum inteiro. Ela se mantém muito morna do início até o fim e o vocal soa meio forçado em algumas partes da música. Poderia ter sido melhor trabalhada talvez. Não é uma faixa que deva-se passar sem ouvir, mas as outras são mais marcantes.

“Orléans no shōjo” tem um início muito interessante, mas peca um pouco por parecer uma continuação mais tr00 de “Requiem”. As duas músicas parecem seguir muito uma linha, só que uma mais sentimental, outra mais agitada. A música volta a ter sua graça própria quando chega o refrão. Há uma quebra do clima da música nessa parte, muda bastante a sensação dela, que passa a ficar um pouco mais melodiosa. Isso salvou a faixa.

Finalizando, “Lost in Helix”. A faixa pra relaxar. Bem mais sentimental que as outras. Bela forma de acabar o lançamento, aliás, clichê usar a música mais intensa como última, mas no álbum funcionou bem. Pouco mais de quatro minutos e meio, a música tem um clima meio “tribal” por causa do vocal. O mais engraçado é que no refrão a vocal diz “gira” ou “rodopia”, e o som te faz parecer inserido nessa sensação de tontura e incerteza, boa sacada de sentidos essa. A música passa rápido, parece ser a menor faixa do lançamento, mesmo sendo a terceira maior.

Belíssimo trabalho das meninas do exist†trace. Certamente o melhor lançamento do grupo até o momento.


Publicação original de 12/05/2009.

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