Aquele almoço de família, todo sentados à mesa satisfeitos, tranquilos. E o tio chato pergunta: “E o Vasco, nem precisava ter sido campeão da segundona, o vice também sobe!”. Outra cena: grupo de escola debatendo temas de redação, uma menina que é evangélica coloca argumentos religiosos na conversa. O aluno mais esquentado fala: “Ah! Cala a boca! Você pega sua vaga no céu pra poder dormir em paz de noite!”. Mais uma: lembra aquele almoço de família ali em cima? O pai da família responde: “Por que você se interessa por isso se você é gay? Logicamente não é algo que você entenda!”.
Futebol, religião, sexualidade. Ainda temos política, família, namoro que vai mal. Quem votar pra chapa da faculdade, se a sociedade cria o maginal. São assuntos comuns em rodas de conversa. Comuns e “proibidos”. O que me lembra aquela famosa frase do “Gosto não se discute, se lamenta” e demais lugares-comuns que nos fazem não tocar em um ou outro tema. Mas por que será?
Sim, eu penso que as pessoas são seres que conversam. Sim, eu me iludo e gosto dela, não discuta comigo (“Tiano, o tópico é sobre isso!”). E como acredito que conversar faz parte, acho engraçado as categorias de “assuntos para não se colocar em debate”. E, pense só, são normalmente assuntos muito divertidos de debater. Pra mim parece coito interrompido verbal. (“Já notou que tudo que a gente debate esbarra em sexo?”) É mesmo, Tititi.
Então vamos lá, não nos preocupando com quais são os assuntos para não discutir, mas por que determinadas conversas não terminam bem? No nosso Questão B! não procuramos respostas mesmo, e sim perguntas interessantes. Por que não se consegue discutir futebol sem que a lealdade de time seja superior aos bons modos? E, caramba, qual o problema em alguém seguir essa ou aquela religião que não pode falar sobre outra? Parece que todo mundo concorda que pensamento é que nem nariz, cada um tem o seu... e parece que não gosta que outro coloque o dedo. (E fugimos do sexo!")
O que nos falta entender para conseguir estabelecer um debate saudável? Sim, porque as pessoas não precisam viver em concordia, vejam bem, mas seria incrível se conseguissem exprimir sua opinião sem ter que jogar a coxa de frango na cabeça daquele tio viadinho que não tem que falar mal do teu time!
Publicação original de 22/11/2009.