Enquanto a mídia grande tenta acusar qualquer proposta do governo como se tivesse interesses eleitoreiros na campanha do pré-sal, infelizmente ela esvazia a importância do debate da Segunda Independência do Brasil. Volta à tona o discurso antiestatal, de que os empresários podem gerenciar melhor os recursos do petróleo, com bordões sobre “produtividade”, “eficiência” e “competividade”, na contramão do mundo, que em tempos de crise econômica, estatizou até a General Motors e o Citibank.

A Petrobras foi criada há pouco mais de 50 anos. Apesar das turbulências pelas quais passou, incluindo duas graves crises do petróleo na década de 70 e uma parcial privatização, a empresa é considerada, hoje em dia, como a mais respeitada do Brasil e uma das mais respeitadas no mundo inteiro. No ano retrasado, a Petrobras descobriu uma nova fonte de riqueza: um grande reservatório cheio de possibilidades de exploração e extração de petróleo na camada chamada pré-sal.

As projeções mais modestas a respeito do pré-sal indicam que nossas reservas de petróleo são equiparáveis a dos principais países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Porém, atualmente utilizamos um modelo de concessão, que permite que nossos recursos naturais sejam entregues à exploração de empresas multinacionais. Estas empresas podem, irresponsavelmente, exportar petróleo segundo seus próprios critérios e sem a garantia do reinvestimento em território nacional.

A Petrobras, por outro lado, continua sendo uma das empresas mais admiradas do mundo. Possui um corpo de recursos humanos impecável, tecnologia de ponta e um dos equipamentos mais sofisticados do setor. Em alguns casos, como na Arábia Saudita e no Irã, a abundância de riquezas petrolíferas resultou em mais concentração de renda, corrupção e benefícios para a elite. No caso do Brasil, se a riqueza do pré-sal for utilizada de forma racional, podemos evitar uma situação semelhante.

Não devemos esquecer das nossas buscas por formas alternativas de energia, menos poluentes e renováveis, de modo que nossa relação com a natureza se desenvolva de forma menos predatória. Até lá, porém, podemos gerenciar os lucros da exploração e refino do petróleo in situ e reinvesti-lo em saúde, educação, pesquisa científica e tecnológica, habitação, etc., e dar um salto de qualidade na vida de todos os brasileiros. Para isso, o pré-sal precisa ser nosso.


Publicação original de 11/09/2009.

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