Depois de 22 dias de massacre contra os palestinos em Gaza, o Estado de Israel não é julgado por nenhuma corte de crimes de sangue ou contra os direitos humanos. E realizou recentemente suas eleições, apontando como favoritos os partidos Likud e Yisrael Beiteinu, a máxima da extrema-direita nacionalista, racista apoiada por boa parte da população, que achou que a ofensiva em Gaza terminou “cedo demais”. A paz no Oriente Médio parece um horizonte distante.
Contabilizando 1.300 palestinos mortos, a grande parte civis, incluindo crianças e mulheres e casas e escolas mantidas pela ONU destruídas, a ofensiva israelense em Gaza chocou o mundo todo. Dezenas de grupos, movimentos, organizações e governos inteiros condenaram o massacre. Diplomaticamente, o resultado foi igualmente um desastre. O direitista moderado Kadima, representado pela atual primeira ministra Tzipi Livni, tentando atrair seus eleitores mais belicistas, falhou frente ao mundo todo e ao eleitorado israelense.
Benjamin Netanyahu, favorito do Likud, sinalizou hoje o apoio do fascista-às-avessas Avigdor Lieberman do partido Yisrael Beiteinu. Nenhum dos dois partidos defendem a criação de um Estado palestino ou diálogo com o Hamas. O Kadima, que conquistou uma cadeira a mais que o Likud no parlamento e, a princípio, defendia a criação de um Estado palestino, míngua diante dessa nova aliança. A ultradireita israelense deixa de ser tradicionalista e religiosa e passa a ser laica e racista.
A briga entre palestinos e israelenses é uma briga de extremistas. O palestino Hamas, que ganhou eleitoralmente a disputa por Gaza, é conhecido por seus ataques a Tel Aviv e outros centros judeus. Entretanto, não tem um Estado para representar qualquer coisa — seja a fúria da guerra ou a luta pelos direitos básicos, como educação, saúde e moradia — diferente de Israel. Este possui um Estado militarizado, e com amplo apoio dos lobbies sionistas dos países ocidentais e da grande mídia, além de um eleitorado ultradireitista.
PS. O Plug In Baby condena veemente as atitudes extremistas e terroristas do Estado israelense, matando injustamente inocentes. Entretanto, à época dos ataques, o site da Blast! estava com problema no servidor e o blog estava fora do ar. Quando o site voltou, o assunto já estava um pouco “antigo”. Mesmo assim o post foi feito pois o PIB considera que qualquer omissão dos meios de comunicação é um apoio à permanência do massacre em Gaza.
Publicação original de 19/02/2009.