01月02日

Desculpem pelo atraso! Hoje vou falar das fstas de fim de ano, principalmente do Natal. Sei que já estamos com quase um terço de 2009 cumpridos, mas não tenho culpa se o servidor foi atacado e isso atrasou todos os meus posts. Vamos lá! Em muitas coisas, Brasil e Japão não se diferem: iluminações e pisca-pisca por toda a parte, a caça pelo presente pefeito — o capitalismo a solta —, propagandas, tudo verde, branco e vermelho: viva o bom velhinho!

No entanto, o que é comemorado aqui? O Natal não tem a mínima ligação com Cristo, e dizer “merī kurisumasu” (feliz natal) é puro costume, uma expressão vazia. Porém, não se pode dizer que não comemoram nada. Comemoram os trabalhos em férias por conseguirem ganhar um extra em bicos que surgem, aos montes, nessa época; comemoram os namorados, que enfim podem se ver — sim, o natal é o terceiro dia dos namorados no ano. E a família, comemora?

É aí que conhecemos as diferenças: o símbolo do Natal, aqui, é um frango assado para família. Não comem isso em outra época do ano por acharem trabalhoso e ruim de comer (sim, o problema não é dinheiro). Além disso, há o “kurisumasu kēki” (bolo de natal), feito de creme branco com morango. Há por toda a parte, em todos os formatos e tamanhos. É ele que torna o natal dos casais mais românticos, enfeitiça as crianças e cria uma mitologia própria no natal japonês: sem “kurisumasu kēki” não há Natal. Na verdade, nem eles sabem de onde surgiu e, pelo o que eu pesquisei, só há aqui no Japão.

Não houve banquetes de dar inveja, nem família reunida, nem oração por agradecimento. Não montaram presépio nem valorizaram a mística véspera de natal. No Japão são presentes, cores e luzes. Não há deus, tradição ou crença. É um natal criado, artificial, com tanto significado como cada “merī kurisumasu” dito nas ruas. No país que o dia começa primeiro, o Natal ainda não chegou.

OBS: Não quis neste posts valorizar o Natal ocidental vomo sendo “puro” e justo, pelo contrário, acho que o Japão apenas representa uma tendência mundial, sem serem hipócritas. Nas terras nipônicas pode ser apenas um feriado qualquer, colorido e romântico, mas para mim ainda tem toda uma magia — e a fiz valer aqui, com pessoas que tem o mesmo sentimento. Acredito que o Natal é uma data na qual todos fazem aquilo que julgam mais importantes para si. De resto, apenas crenças e opiniões — e religião e gosto não se discute.

Falando nisso... Akemashite omedetō (feliz ano novo)! Aqui, bem, não há fogos. Mas os trens circulam em todo o país por toda a noite, para que as pessoas possam visitar templos, muitos deles abertos gratuitamente e com eventos únicos no ano, como a “abertura do telhado” no Tōdaiji, onde fica o grande Buda. Muitos visitam outros templos para “tocar um sino”, que é enorme, mesmo, agradecendo o ano anterior e pedindo proteção no ano que vem. Além disso, o barulho dos sinos era ouvido por toda Kyoto (onde passei o Ano Novo), acredita-se que assim espanta-se os maus espíritos. Além disso, muitas comidas tradicionais (a maioria rara, exótica, e não muito gostosa, na verdade), cada uma com um significado em especial, incluindo longevidade. Talvez seja o dia (noite) mais movimentado(a) do ano, o que o torna bem interessante. Ah, eu também fui pedir proteção, tocando o sino! Tá na chuva, é para se molhar...

Lembrando sempre que quem quiser saber sobre comida japa, aprender a fazer por si mesmo e ficar por dentro de eventos, basta acessar o site www.aacj.com.br ou o blog www.aacj-br.zip.net mais completo de culinária japonesa brasileiro.

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PS1: No dia 26 nevou aqui. Faltou um pouco de vontade do deus local para trazer neve no dia 25 e deixar o Natal mais romântico.

PS2: Não só o comércio, mas a indústria também se torna muito forte no Natal japonês. Em tempos de crise, foi uma boa maneira de terminar o ano sem vermelho pra muita gente.

PS3: Eu vi o Brasil no Ano Novo! Passou um pedaço ao vivo, direto da liba, no Kōhaku Utagassen, programa tradicionalíssimo de virada de ano aqui do Japão! Sensacional!


Publicação original de 27/03/2009. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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