Resenha de Break the Records -by you & for you-, de KAT-TUN (Johnny’s Entertainment, 2009). Nota: 8,5.
O KAT-TUN, ao contrário de outros grupos da Johnny’s Entertainment, tem uma identidade musical muito definida, e isso fica claro mais uma vez no novo álbum. Nele, predominam músicas rock-escas, dançantes, mas sempre com uma aura um tanto dramática.
É o caso de “SADISTIC LOVE”, que muda de clima algumas vezes, mas sempre dominada por uma guitarra rápida. Ela é seguida de “RESCUE” — melhor single do álbum — cujo refrão, completamente em inglês, gruda rápido na cabeça. Também chama a atenção o belo vocal de Akanishi Jin, cada vez mais profissional. Vem então “WATER DANCE”, música que os vocais tornam enjoativa, apesar do ótimo instrumental.
Depois de mais um single (“ONE DROP”), começam os solos. “WHITE WORLD”, de Nakamaru Yuichi, segue a linha de seus outros solos: uma baladinha simpática, mas não muito memorável. O próximo solo, “care”, é o de Akanishi Jin, composto e escrito por ele. A canção — um pop-rock agradável — já existe há alguns anos, mas sofreu algumas modificações na letra. A ela se segue “1582”, de Kamenashi Kazuya, uma música surpreendente pelos sentimentos de desespero, de um certo desconforto que passa — talvez pelos violinos melancólicos que contrastam com a batida e os efeitos nos vocais. Mais surpreendente só o solo de Tanaka Koki, “PIERROT”, um rock pesado, ágil, que combinou com seus raps. É a vez de Ueda Tatsuya, com “Hana no Mau Machi”, de leve inspiração na música tradicional, manifestada através de uma pluralidade de instrumentos. “WIND” é a faixa mais fraca e deslocada do álbum, e os vocais de Taguchi Junnosuke não contribuem muito.
Voltamos às faixas cantadas em grupo. “Kimi Michi” lembra “un-”, do álbum anterior, e tem ares de abertura de anime. “Shunkashūtō” é um tanto dispensável, parece só estar ali para ocupar espaço, e com certeza não entrará para a turnê. “White X’Mas” ganhou uma versão para o álbum um pouco mais alegre, com ecos nos vocais, mas continua um tanto tediosa. Já “NEIRO” é a única balada do álbum e tem jeito de música de karaoke.
“MOON” (composição de Jovette Rivera, responsável pela OST de Final Fantasy VII), por sua vez, sozinha faz valer o álbum. Começa com um pequeno solo de shamisen, depois entram a guitarra, o baixo e a bateria, e mais pra frente uma batida eletrônica e violinos. Não é só a melhor música do álbum, como possivelmente a melhor que a banda já cantou. O destaque para o vocal de Kame deu incrivelmente certo, e até o beatbox de Nakamaru se encaixou na melodia. A bridge é linda, sem exageros, e o fato de ser esta a última música nos deixa até a sensação de que o álbum foi melhor.
Break the Records -by you & for you- cumpre seu papel, fornecendo bons solos e músicas com cara de show, além do espetáculo à parte de “MOON”. Mas não é, nem de longe, um dos melhores da banda.
Publicação original de 17/05/2009.