Manuel Zelaya foi expulso da presidência de Honduras no domingo por um golpe orquestrado pelo Congresso, pela Justiça hondurenha e desferido pelo Exército. Conhecemos bem essa história: governos reformistas com amplo apoio social são derrubados e substituídos por governos repressores, civis ou militares, que vendem as riquezas do país para os estrangeiros. Um forte atentado as regras do jogo democrático.
O Brasil já declarou não reconhecer o novo governo. Roberto Micheletti, então presidente do Congresso, se assumiu como presidente da República de Honduras afirmando que Zelaya foi deposto por violar a Constituição e cometer crimes contra as instituições vigentes. Os golpistas afirmaram, ainda, que ele queria convocar uma Assembleia Constituinte para se manter no poder.
Vamos entender: o presidente deposto, com alta popularidade, sobretudo entre os católicos e as populações rurais, queria levar a possibilidade de convocar uma Assembleia para plebiscito popular. Uma das questões em jogo seria a possibilidade de uma reeleição, já presente em muitos países democráticos como o Brasil e os Estados Unidos, outra seria um aprofundamento da reforma agrária, tudo por via constitucional.
O referendo é justamente a radicalização do processo democrático: levar as questões do país para decisão popular é justamente compreender que o povo está no poder. Os golpistas, em Honduras e no mundo todo, não entendem e não querem entender. Além disso, Zelaya já afirmou que não pretende se candidatar às eleições e, caso fosse candidato, precisaria ser eleito — tudo decidido pelo povo.
O Plug In Baby espera que a Organização dos Estados Americanos (OEA) ou a Organização das Nações Unidas (ONU) intervenha imediatamente em Honduras. Já se foi o tempo que governos reformistas que alcançam conquistas sociais e econômicas são derrubados por golpes militares. Se as organizações internacionais ou mesmo os Estados Unidos nada fizerem, pode haver um efeito dominó na América Latina, o que compromete as conquistas sociais dos países vizinhos e até do nosso.
Publicação original de 30/06/2009.