[vídeo em Flash, indisponível desde 2020]
A Folha de S. Paulo está sempre em campanha para desmoralizar e destruir o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Criado com a bandeira primordial da Reforma Agrária, o MST expandiu sua luta para condições dignas de trabalho e de vida, e hoje é criminalizado pela mídia e por diversos setores da sociedade e do Congresso. Apesar disso, constitui o maior e mais importante movimento social do Brasil e um dos maiores da América Latina, juntando uma organização política invejável a saberes agrícolas e espaciais aprofundados.
No vídeo acima, da Folha Online (também disponível aqui), o narrador aponta a destruição das lavouras de monocultura da laranja por parte do MST, semelhante aos movimentos ludistas dos operários no século XIX que, por considerar que a indústria era a vilã principal dos trabalhadores, e não os industriais, acabavam incendiando e destruindo máquinas. No entanto, o narrador faz uma (proposital) confusão sobre o conceito de reforma agrária, o que leva a automática taxação do Movimento como baderneiro e a falta de compreensão de seu motivo de luta.
Fazer reforma agrária é distribuir terras e possibilitar aos trabalhadores rurais condições dignas para produção agrícola e trabalho. A aprofundação da Reforma Agrária é importantíssima no Brasil pois pode, dentre outras consequências, diminuir a desigualdade social no campo, diminuir os fluxos campo-cidade das pessoas em busca de trabalho — o que leva à superpopulação das cidades, favelização e até aumento da violência —, expandir a agricultura para consumo interno, sem monocultura nem transgênicos e aprofundar uma relação mais harmônica com a natureza.
Sabemos que a monocultura é prejudicial ao meio ambiente, pois não reproduz nada semelhante ao que era a natureza, que é pluricultural. No caso da fazenda mostrada no vídeo, as terras pertencem à União, mas as laranjas foram plantadas pela empresa Sucocítrico Cutrale, atitude caracterizada como grilagem. Este procedimento é ilegal e qualquer terra nesta situação é passível de reforma agrária de acordo com Instituto Nacional de Coloniazação e Reforma Agrária (Incra). Além disso, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público, acusada de fazer cartel no ramo dos sucos, o que, além de ser ilegal, prejudica os pequenos produtores.
O Plug In Baby é contra a criminalização da pobreza (inclusive debatemos esse tema sexta-feira) e dos movimentos sociais e acha a luta do MST legítima, o que não justifica a destruição de campos de cultivo. Apesar disso, entendemos que a Reforma Agrária é necessária e apoiamos as ocupações de latifúndios, fazendas improdutivas, em condições ambiental ou socialmente ilegais e as demais passíveis de desapropriação, como consta no estatuto do Incra. A experiência nos revela que esta é a única forma que os órgãos de governo se sentem realmente pressionados para a realização da distribuição de terra. Em relação à Folha, por sua vez, é possível observar o claro posicionamento da mídia, que quer criminalizar o movimento, demonstrando ainda mais (para quem tinha dúvida) a relação promíscua do jornal com o interesse dos latinfundiários brasileiros.
Publicação original de 06/10/2009.