O programa Blastionário! da última sexta-feira, 27/2, recebeu um convidado inédito: este que vos escreve!
Trechos da (modéstia apartes) interessante entrevista:
Muita gente acha que a onda de shows de J-rock no Brasil tende a diminuir. Outras pessoas acreditam que, com maior divulgação, ainda teremos uma onda crescente de shows. O que você, como divulgador, pensa sobre isso?
Eu relutei em chegar a essa conclusão, mas os fatos, não só do mercado brasileiro como também dos mercados estadunidense e europeu, me fizeram chegar a seguinte conclusão: aproveite este momento. Se algum artista que você gostar tocar num lugar que você possar ir pra vê-lo, vá. Ele possivelmente nunca mais vai voltar.
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Se a gente comprasse os produtos originais como CDs e merchans, aí sim, talvez, valeria mais a pena pro artista. Do contrário, compensa muito mais ele operar no Japão ou outros países da Ásia, como de costume. E esse problema aumenta ainda mais com relação às bandas grandes, como L’Arc~en~Ciel, por exemplo. Quanto maior a banda, maior a quantidade de dinheiro que precisa (ou precisaria) ser movimentada pra realizar um evento de sucesso.
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Por outro lado, existe a teoria de divulgar as bandas japonesas prum público novo, fora do meio de fãs. Alguns textos estrangeiros apontam o DIR EN GREY como exemplo de sucesso nos EUA e na Europa por conta desse fator.
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Se você fosse uma banda japonesa e quisesse investir em um mercado ocidental, você escolheria EUA, Europa ou Brasil, onde, mais do que nos dois anteriores, a pirataria já faz parte da cultura local e o poder de compra da população é menor? Precisaria ter aqui alguém aqui com dinheiro e vontade de investir numa divulgação de música japonesa muito grande em mídias não-especializadas no meio da cultura japonesa. A Yamato já afirmou que não tem cacife pra isso.
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Além de que, como fã de música, eu diria que existe um risco. Coincidentemente ou não, antes de começar sua grande campanha ocidental e durante o desenvolvimento da mesma, DIR EN GREY foi gradualmente abandonando por completo sua identidade em todos os aspectos, inclusive o sonoro. Eles foram se tornando cada vez mais parecidos com as bandas ocidentais, o que foi uma perda. Olhando outros exemplos de bandas japonesa com algum sucesso e constância em mercados ocidentais temos quem? Gente como THE MAD CAPSULE MARKETS, também com um trabalho altamente ocidentalizado, e o infeliz POLYSICS. Ainda sou a favor de qualquer divulgação bem feita de músicos japoneses e seus trabalhos. Só espero que aqueles que admiro tenham as convicções artísticas necessárias pra não seguirem o triste exemplo do DIR EN GREY. O que pode não acontecer também pra que o artista evite problemas entre seu público japonês.
Publicação original de 02/03/2009.