Resenha de MESSIAH, de SUGIZO (Sephirot/CCRE, 2009). Nota: 10,0.
SUGIZO apresenta seu primeiro single digital repleto de uma psicodélica procura espiritual.
Todo mundo já conhece bem a característica de intensa ligação com crença e espiritualidade do SUGIZO, ex-guitarrista da LUNA SEA, ex-The FLARE, atualmente “trabalhando” com o X JAPAN. Pois bem, mais uma vez temos um trabalho com este tema.
“MESSIAH” vem com a mesma dose de questionamento espiritual de outras músicas anteriores da carreira solo do músico, a “SWEET” e “Spirituarise” por exemplo. SUGIZO apelou bastante no trabalho eletrônico neste single, o que não é novidade pra quem já acompanha a carreira do cara. Justamente isso traz uma estranheza muito grante, muitas pessoas pensam que, por ser um guitarrista conceituado, o artista deve enfatizar prioritariamente o instrumento que se especializou, então no caso do SUGIZO teriamos um single com amplas técnicas e floreios de guitarra. Mas não é bem assim. Com o SUGIZO nunca é.
A música tem pouco mais de 6 minutos e é um trabalho super envolvente. Um instrumental bem construído parece seguir uma linha lógica, transportando pro tema do single, a procura por seu Messias, talvez um Messias interior. Este “transporte” se tornou possível pela utilização muito feliz de frases soltas durante a música, perguntas na verdade, questionando se você esteve esperando o Messias, procurando o Messias, e se finalmente achou o Messias. Quando se presta atenção nisso, a música já toma outro rumo, parece uma viagem interior, de autoconhecimento, ou algo do tipo. Psicodélico, quase fumado, verdade, mas isso fez do single muito mais cativante. Se torna ainda mais interessante o fato de que a música passa por altos e baixos de calmaria e caos sonoro, aumentando a sensação de “peregrinação espiritual” da música. Perfeita.
Pra quem não quer prestar atenção em nada disso, ou simplesmente não liga, a faixa é boa também pra se ouvir destraidamente e se animar com o “tu-tchi-tu-tchi-tu-tchi” eletrônico. Não é cansativa apesar de extensa e com vocal praticamente nulo.
Fica uma bela sugestão pra quem gosta de composições mais pessoais, mais conceituais, e, é claro, pra quem não resiste aos trabalhos do SUGIZO. Mandou bem mais uma vez.
Publicação original de 20/12/2009.