Realmente eu não sou daquelas que gosta de blockbuster nacionais. Filmes pré-montados para agradar as massas e tentar ganhar recordes com um desempenho não tão bom nunca foi do meu feitio. Melhor ver um seriado, já que eles vestem a camisa da padronização blockbuster. Fui ver Divã principalmente pela discreta motivação do DJ Tiano (“Ahh! Tô loka, adoooreeei!”), mas não posso deixar de gostar dos textos de Martha Medeiros e do trabalho de Lília Cabral.

O filme faz o que proprõe. Ou seja, é um filme que não tenta ir além da simplicidade que ele é: Mercedes é uma mulher lúcida, vai ao analista sem saber o porquê. Pois se sente feliz, realizada. É honesto, com piadas singelas — sem forçar muito a mão na obviedade — e popular. Se identificar com Mercedes — a personagem de Lília — não é difícil. Casada à quase duas décadas, dois filhos adolescentes e um marido com quem mantêm uma relação morna, Mercedes pinta quadros para assim dar conta do seu interior.

A diversão toda do filme está nas cenas de absurdo em que a personagem principal se passa. Ela e sua melhor amiga transgridem o cotidiano de forma deslumbrante (e dançante) para a diversão maior. A amiga (Alexandra Ritcher) é careta e passional. Mercedes trai o marido, fuma maconha, e se mostra disponível a viver. Duas visões diferentes para o feminino, se chocando e se entrelaçando.

Os melhores momentos do filme são quando a protagonista conversa com o analista. Ali está o diferencial do filme, que na verdade me conquistou. Quando Mercedes mostra fragilidade sem ser piegas ou melodramática e é naturalmente engraçada, o filme então passa a não ser “mais um blockbuster”. Divã pode ser meio piegas em algum momento e até forçar algumas situações, como a cena da personagem fumando maconha, mas reverencia as mulheres que desejam viver e aprender, que decidem que vão ser felizes mesmo que tenham que aprender a catar as pedras pelo caminho. Mudá-las de lugar é um grande diferencial.


Publicação original de 28/05/2009. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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