11月5日

Olá a todos! Vou falar, para variar, de algo conseiderado “comum” no Japão e que não acontece no Brasil, ou pelo menos não com tanta frequência: o Daigakusai (Festival da Faculdade).

No aniversário da Universidade de Tenri (que completa 60 anos), há um festival envolvendo todos os cursos, clubes e circles. O evento é feito a partir e para os alunos, embora receba ajuda (e muita) da faculdade, como espaço para a sua realização, uma verba que cobre boa parte dos custos e folga nos dias anteriores ao evento (sim, as aulas são suspensas!). Aliás, durante o mês de outubro, os alunos só se preocupam com isso: não saem, não estudam e alguns até param de fazer bico (o famoso arubaito, do alemão Arbeit): tudo para, após a aula, se dedicarem exclusivamente aos preparativos.

Por que tanto tempo? O festival começa sexta à noite e vai até a segunda. No sábado e domingo dura até o pôr-do-sol (que no outono e inverno acontece antes das cinco da tarde). Cada curso faz uma montagem representativa do que se estuda, além de comida típica (a galera fez o Cristo Redentor e vendeu pastel, que tava muito bom, só estranhei a batata com carne e queijo). Toda a verba gereda pelas vendas é doada há alguma entidade que cuida de crianças desabrigadas, geralmente no leste asiático ou na África.

Além disso, há uma sala temática e um peça de teatro por curso (nos cusos de idioma, tudo é falado na língua estudada; a galera de português-brasil narrou a história de Tiradentes bem diferente — e japonês — e mesmo com a pronúncia um pouco falha, às vezes incompreensível, ficou bem interessante). Especialmente no teatro, ao terminarem a peça, era choradeira. Eles realmente se esforçam, mas não deixam de parecer crianças, muito engraçado! hehe

Sobre a abertura, nada de especial, apenas as formalidades japas, mais chatas que no Brasil. Nas apresentações, dança e comédia (ridíííículas), além de duas apresentações, que me chamaram a atenção: na primeira delas, a Cris e o Edson levaram a escola de samba lá, que animou bastante; na segunda, uma cantora contratada MUITO LOUCA no maior estilo BoA (a coreana), com roupa sensual, música pop no último e dançarinas ao fundo. Sensacional!

De sábado à segunda houve a apresentação de bandas. Não deu pra ouvir todas, lógico, mas gostei muito no geral. No encerramento, segunda a noite, mais choradeira e premiações (o povo “do Brasil” ganhou como “melhor trabalho em equipe” nas vendas e “melhor protagonista” no teatro). Depois, festa no palco e fogos de artifício que valeram, e muito, o frio que fazia no dia. Para encerrar o festival, muita bebedeira num bar/restaurante e muita cantoria no karaokê, claro.

O que me espantou foi como os japas levam o evento a sério. Deixam tudo de lado e no fim comemoram como se estivessem se graduando. É exagerado demais em alguns pontos, demonstrando até falta de compromisso com o curso escolhido. Contrastando isso, levam a sério: ensaiam, arrumam, fazem, consertam, desmontam. Cinco minutos após o fim e tudo estava organizado, nos seus devidos lugares. Pra falar a sério, até a diversão é levada a sério. Os japas, pelo menos os universitários de Tenri, precisam aprendem a relaxar... Nem tudo na vida precisa ter um sentido maior ou uma manifestação de “juntos conseguimos tudo”. Às vezes (para não falarem que sou vagabundo) nada é melhor do que ficar de boa com os amigos ouvindo um pouco de música boa, jogando conversa fora.

Ah, e não deixem de entrar num dos melhores sites de culinária japonesa: www.aacj.com.br e no blog: www.aacj-br.zip.net

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PS1: Comi feijoada nesses dias, feita pelo povo do curso de português-brasil. O gosto lembrava, mas tava bem suave. Mas não posso negar, gostei bastante, matou um pouco da saudade.

PS2: Tá esfriando muito, mas isso não é nada, Hokkaido vai ser bem pior.

PS3: Sim, vou para Hokkaido, o país do gelo!


Publicação original de 03/02/2009. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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