Um pouco atrasada mas nunca tarde demais, venho trazendo uma resenha interessante. Não vou dar nota, ou dizer se vocês devem ou não ouvir o álbum comentado nesse post, e vale lembrar que não é um dos posts da série de álbuns para se ouvir antes de morrer.
O artista visual kei Kaya lançou em fevereiro o primeiro álbum de uma suposta sequência temática com finalidade de enfoque à músicas antigas. O primeiro tema escolhido pelo artista foram as chansons, onde o artista fez vários covers de músicas clássicas do estilo. Até aí morreu neves. Achei que seria apenas um lançamento qualquer, mas ouvindo o álbum e principalmente lendo as explicações do porque do lançamento dadas pelo próprio Kaya, achei irresistível dividir com vocês minha opinião sobre o belíssimo trabalho do cantor.
Estamos acostumados com tudo do Kaya. Seu lado polêmico, seu lado engraçado, suas apologias e suas marcantes músicas ao estilo industrial. Mas a ideologia dele para o novo lançamento vai muito além de um simples trabalho artístico. Note trechos de sua entrevista ao site CD Japan e logo após explico o porque achei tão bonita a atitude do artista:
Agora, esse é seu primeiro lançamento de 2009. Seu novo CD, Kaya Meikyoku Series 1: Bon Jour! Chanson, lançado dia 18 de fevereiro, é um álbum de chansons. O que o levou a fazer este álbum?
Kaya: Na verdade eu cresci ouvindo música pop, e por isso sempre apreciei músicas dos velhos tempos. Desde pequeno, eu sempre quis continuar cantando estas canções. Eu fiz vários covers de músicas pops e até mesmo tentei cantar algumas chansons desde minha época de artista indie, e agora eu tomei um passo maior a este respeito.
Então você escolheu chansons para o primeiro lançamento deste ano por opiniões pessoais a respeito delas?
Kaya: Eu não diria ao certo que foi apenas por opiniões pessoais. Diria que é o meu negócio no momento (risos). Eu venho ouvindo o estilo já há alguns anos e realmente gosto muito.
(...)
Eu não estou dizendo que tudo que é antigo é bom. Pode haver muitas coisas ruins nelas também. Por exemplo, algumas ideias tradicionalistas sobre sexualidade ou sobre algo como status familiar poderiam ser ajustadas, e acho que muitos tipos de discriminação vem daí. Então, eu quero desafiá-las e mudá-las.
Acho que chanson aparenta ser um estilo muito baseado em tradições. (...) Então para muitos é algo distante.
Eu quero quebrar essa imagem também. Então, acho que há uma cumplicidade entre a música que ouço e o que quero alcançar como artista. Por isso escolhi começar pelo estilo chanson.
Fragmentos de Visual-kei artist Kaya meets chanson, original do site CD Japan
Escolher um estilo musical de seu gosto para desafiar ideias a serem mudadas, dizer algo a respeito de si próprio, passar uma mensagem, tudo isso de forma delicada e sentimental. Esse foi o plano de Kaya para seu primeiro lançamento do ano. Uma salva de palmas para a atitude do artista!
Uma das coisas que esquecemos hoje em dia é a força que a música tem na sociedade. A força que tem de mudá-la, de transcrever sentimentos, cantar realidades, fantasias também. O músico tem em suas mãos o poder de passar uma grande mensagem para seus fãs como um político tem o mesmo poder para com o povo. Louvável de fato, foi um artista tão polêmico, e ao mesmo tempo tão sensível e autêntico como Kaya ter decidido por iniciativa própria fazê-lo ao invés de simplesmente trabalhar mais um álbum para vendas.
Fica a sugestão para que baixem, apoiem, e, acima de tudo tentem entender a grande ideia do cantor pra com esse lançamento.
Terminando o post a belíssima arte de capa do álbum:
Tracklist:
- Les Champs-Élysées
- C’est Si Bon
- Je Te Veux
- Padam Padam
- La Vie en Rose
Publicação original de 01/04/2009. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.