Bastardos Inglórios, o mais novo filme do Quentin Tarantino é, sem dúvida muito bom. O Tarantino dá ao seu “horror show” o tom que gostaria sem questionar se o público vai aceitar aquele tipo de comédia ou não. Ele é ousado e isso entretem. A cena inicial mostra ao público a que veio o diretor: fazer um filme que ele goste. Do jeito esquisito/trash que só ele sabe fazer e que, no final, acaba agradando o público também.

Objetos são peculiaridades que marcam muito o cenário do filme; vomo, por exemplo, a vaca no fundo da primeira cena, o cachimbo e-nor-me do general alemão ou também a marca da suástica. Esse humor cômico-bizarro descontrai o clima tenso de violência muitas vezes gerado no filme.

A fotografia também é usada em benefício da comédia para tentar deixar o filme ainda mais leve. Os personagens não têm muitas sombras e o cenário sem muita profundidade, por exemplo. Mesmo sendo muito bom, ele é muito longo. O capítulo da cena no bar com a atriz alemã é muito longo e poderia ter sido editado de uma maneira mais dramática. A tentativa de criar um clima de suspense que prendesse a cena não funciona e desmotiva o espectador.

A ousadia do diretor vai além da violência gratuita ou super closes em cenas fortes. Tarantino faz da morte de Hitler como se fosse fácil passar manteiga num pão, modificando toda a história da II Guerra Mundial na sua ficção. Não que isso seja bom ou ruim, acho válido. Principalmente porque a história é dele e ele faz o que bem entender. A questão que fica é: Hitler ainda é uma figura tão presente e simbólica que muitos detestaram sua morte no filme. Por quê?


Publicação original de 18/11/2009. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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