Acabei de ver Hairspray. Paguei mais barato, graças ao Teatro para Todos. E isso me lembra uma veeelha discussão: Só tem acesso à arte quem tem grana. Mas é verdade?

Não só o Teatro para Todos, aqui no Rio temos muitos museus baratinhos, tem o CCBB que conta com exposições de graça, tem o Festival do Rio — com suas projeções na praia. Muito bonito. Ah, eu não sei das outras cidades, mas acredito que São Paulo, Belozonte e Curitiba devam ter iniciativas semelhantes. O que já coloca em xeque aquela coisa de “Ahh, não temos cultura por não ter acesso a ela!”. E eu acho interessantíssimo também a ideia de que cultura é tão somente arte, não toda aquela iniciativa popular que vai desde um carnaval até uma serenata de praça que qualquer cidade de interior tem.

Deixando de lado a questão de preço de show, porque isso teria que render um programa inteiro, e nos focando em um detalhe pequenino. Perceberam que normalmente esses lances de arte a preços baixos são característicos de grandes centros urbanos? Eu sei que moro na “ilha” do Rio de Janeiro, o Brasil é absurdamente maior e vendo as condições da gente, me sinto alienígena na própria pátria. (“Se isso é uma ilha, NÃO me mandem pro porto, cruzes!” Tititi elitista burguês!)

Como levar as representações da arte àqueles brasileiros que estão lá, no mundão? Porque se a galera daqui não vai, provavelmente é mais por desconhecer as possibilidades do que não ter acesso a elas. E os demais? E o comprometimento com uma cultura especialmente popular? Popularizar a arte é levá-la aonde não chegaria com suas próprias pernas.

E vocês, o que acham? Produzimos uma arte elitista até quando somos populares? Vale o esforço e uma batalha de cada vez? E tudo interesse comercial? Ignoramos aquilo que temos de mais pessoal? Não deixem de participar desse programa, viu!


Publicação original de 29/11/2009.

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