Queria que o dilema eleitoral brasileiro fosse tão simples quanto é o estadunidense.
É evidente que os Estados Unidos da América não são um exemplo de democracia para nos inspirar. Para você ser candidato a alguma coisa você tem que pertencer a um clube eleitoral e dar bastante dinheiro para esse clube mensalmente; só há dois partidos que disputam as eleições pra valer, ou seja, a população só tem direito a decidir entre dois candidatos; não há voto direto (o presidente é eleito por um colégio eleitoral formado por delegados eleitorais que são escolhidos pelo povo) e não existe uma lei nacional para a contagem dos votos (tanto que, nas últimas eleições, muitos eleitores da Flórida votaram errado por causa de cédulas malucas e reelegeram o presidente atual). Mesmo assim, uma vez que chegamos na “reta final”, é mais fácil decidir seu voto nos Estados Unidos do que no Brasil.
Tradicionalmente, os republicanos são mais reacionários e conservadores, enquanto os democratas são mais libertários e humanos. Barack Obama, 46 anos, negro e senador pelo estado de Illinois desde 2005, é contra a energia nuclear defende a retirada das tropas do Iraque, é “contra guerras estúpidas” e defende a participação do Estado na garantia dos direitos humanos como o acesso a educação, a saúde, a habitação e a cultura.
John McCain, 71 anos e senador pelo estado do Arizona desde 1987(!), é contra a adoção de crianças por casais gays, é intensivamente a favor da energia nuclear, apoiou o envio de tropas estadunidenses extras ao Iraque, é contra a definição de um calendário para sua retirada, disse que prefere perder a eleição a perder uma guerra e defende a menor participação possível do Estado na economia.
É fácil decidir o seu voto na terra do Tio Sam. Frente à tradição libertária dos democratas, à desastrosa política (econômica, interna, externa) de George W. Bush e ao racismo que permeia os Estados Unidos com vigor mesmo após Martin Luther King, eu fico com Obama.
PS: Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, disse ser contra a instalação de uma terceira usina nuclear no Brasil.
Publicação original de 23/07/2008.