Uma situação que realmente me impressiona é a panfletagem assalariada. Em época de eleições, o candidato pega alguns jovens estudantes que estão a fim de ganhar um extra e podem pagar até 3 salários mínimos para eles entregarem panfletos com as propostas do candidato nas ruas da cidade. Essa prática é um absurdo. Além de ser um pé na bunda da democracia, derruba qualquer tipo de ideologia.

O pagamento pela panfletagem é antidemocrático, pois impede que os candidatos menos afortunados ($) possam difundir suas idéias por mais do que os 13 segundos que os vereadores possuem na televisão. Assim, apenas os candidatos que têm dinheiro para produzir um material de ponta e contratar uma dúzia de estúpidos (certamente estão sendo feitos de estúpidos) terão destaque e outros com menos dinheiro, mas mais propostas políticas interessantes cairão no esquecimento.

As trocas de partido foram motivo para discussão intensa ano passado. O político sai do PT e vai ao PSOL porque não concorda com os rumos do primeiro, outro sai do PDT para o DEM porque tem desavenças pessoais com a liderança do partido e outros casos freqüentes. Isso nos mostra a falta de filiação ideológica de boa parte de nossos políticos.

Assim, nossos representantes nos dão um péssimo exemplo. A panfletagem em troca de dinheiro assume um papel bem parecido com o exercido pelos políticos quando trocam de partido, pois também não se preocupa com apego ideológico (Socialista? Comunista? Trabalhista? Democrata? Republicano? Quem paga melhor?), apenas com a grana. Estamos mais próximos de Cazuza do que nunca.

Em um post anterior foi a cultura a serviço do capital. Hoje é a política a serviço do capital. Cuidado, o próximo pode ser você.


Publicação original de 27/08/2008.

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