A geopolítica do extremo leste europeu está longe de ser resolvida. O novo conflito é entre a Geórgia e a República Separatista da Ossétia do Sul, com intervenções russas. Nos moldes da Guerra Fria, temos, de um lado, o governo de Mijail Saakashvili, que tenta ocidentalizar a Geórgia e é defendido pelos Estados Unidos, e, do outro lado, a República Separatista é apoiada pela Rússia, que tem realizado ataques com freqüência à Geórgia e possui um poder de fogo bem maior.

Tudo isso porque há 2 anos a Ossétia do Sul realizou um segundo referendo de Independência (o primeiro havia sido realizado em 1992) que contou com apenas 5% de abstenções e teve um resultado de 99% da população favorável a independência. A abstenção foi, principalmente, de georgianos, que são 14 mil numa população de 70 mil ossetas. Mas a diplomacia internacional não reconheceu o referendo. Depois de mais de 15 anos de criada a República da Ossétia do Sul, a Organização das Nações Unidas e a União Européia ainda não reconheceram sua independência. Mas ela já possui presidente, primeiro-ministro e não recebia intervenções militares desde a década de 90 — vivia em paz.

Semana passada, tropas georgianas invadiram a capital ossetiana, matando centenas de civis. Em resposta, a Rússia, que apóia a Independência da Ossétia do Sul, bombardeou violentamente cidades georgianas. Ainda não há números precisos sobre a quantidade de civis mortos na Guerra. Entretanto, o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, disse ao presidente da Geórgia que os ataques russos “não poderiam ficar sem resposta”.

É tudo que os EUA querem: um conflito que a Rússia saia com o papel de vilã da história. Esse país, apesar de suas contradições internas, tem resistido bravamente ao Império militar estadunidense e está criando uma indústria bélica bastante poderosa que não se via no mundo desde os tempos da Guerra Fria. A Geórgia, como forte aliada dos EUA, é o terceiro país com mais tropas no Iraque do mundo. Além disso, os militares georgianos foram treinados por 120 instrutores estadunidenses que ainda estão por lá. Esse país não pode sair desmoralizado de uma guerra, seria uma vergonha para os Estados Unidos da América.

Afinal, a luta separatista da Ossétia do Sul é soberana? Bom, na Geórgia se fala georgiano e a maioria esmagadora da população (84,6%) diz seguir a Igreja Ortodoxa Georgiana, uma religião pagã relacionada com a Lua. Os ossetas falam russo e a maioria (61%) é cristã. Portanto, temos culturas e idiomas distintos. O que esta província estava fazendo anexada à Geórgia?

Ver: Folha


Publicação original de 13/08/2008.

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