Nicolas Sarkozy, presidente da República Francesa e puddle de George W. Bush, está convicto em sua idéia do uso da energia nuclear para seu país com o intuito de combater a mudança climática. Entretanto, dia 7 de julho, 30 metros cúbicos de um líquido contendo urânio vazou de uma usina nuclear da cidade de Avignon, na França. A população local está impedida de beber água de dois rios contaminados pelo vazamento.
Acidentes como esse são a prova da ameaça que a energia nuclear é para o meio ambiente e para a raça humana. Em tempos de busca por energias alternativas, a nuclear não parece ser interessante para substituir o petróleo. O material radioativo usado e excretado da usina é altamente prejudicial à saúde humana e aos ecossistemas e os riscos de acidente são enormes.
Para exemplificar: Chernobyl. Em 1986, na ex-União Soviética (hoje Ucrânia) um reator de uma usina nuclear explodiu e liberou radiação que fez com que centenas de milhares de pessoas tivessem que se deslocar de suas casas. Até hoje, o efeito da radiação ainda provoca alterações genéticas em crianças nascidas na cidade de Chernobyl. Estima-se que 5 a 8 milhões de pessoas foram afetadas diretamente (com a explosão) ou indiretamente (com a radiação) pelo acidente de Chernobyl.
Não é uma questão de necessidade de mais pesquisa. Os riscos estão aí. O urânio usado nas usinas francesas, por exemplo, é trazido de outros países, já que a França não possui mina de urânio. Esse transporte é perigosíssimo; se ele for feito no mar um acidente pode ter conseqüências catastróficas em escala global.
O lixo nuclear é outro grande problema. Para funcionar, a usina precisa manter um compartimento com os restos usados para a obtenção da energia a partir da fissão do átomo de urânio, pois é um material altamente radioativo e não pode entrar em contato com a Natureza. Ou seja, resolvemos o problema do aquecimento global, mas criamos outro para ser empurrado com a barriga para as nossas gerações futuras: para onde vai esse lixo?
Alguns países pobres africanos vendem — é isso mesmo, vendem — áreas especiais para depositar o lixo nuclear dos países ricos no subsolo. Para alguns é uma boa forma de substituir o petróleo e ao mesmo tempo ajudar os países pobres. É uma forma de camuflar o problema da pobreza, que é resultado da exploração que o continente africano sofreu e ao mesmo tempo inibir qualquer forma de produção de vida microscópica e vegetal nesses locais.
O estudo deve ser feito sobre as condições naturais de produção de substrato para transformação em energia. O Japão, por exemplo, possui um fantástico potencial eólico; o nordeste brasileiro, um potencial solar; e os Estados Unidos podem plantar biocombustível. Existem tantas fontes renováveis e menos perigosas, não há necessidade de uso. Esta forma de energia só vai ajudar a acelerar o processo de degradação do planeta. Investir na energia nuclear é investir no apocalipse.
Consulte também: http://www.greenpeace.org/brasil/nuclear
Publicação original de 16/07/2008.