Não é preciso ser o maior fã de animes do mundo para reconhecer o peso que o Anime Family possuiu esse ano. Achei meio esquisito empurrar o evento para o fim do mundo, em Piedade. Acho que só eu achei isso.

Descendo do trem, olhei pro lado e vi um aglomerado de pessoas de preto. Chegando na esquina onde a fila fazia a curva eu realmente me espantei. Não dava pra ver onde ela terminava ou começava. O calor infernal somado com as roupas pretas não fez ninguém largar o osso da fila. Uma menina, inclusive, desmaiou dou meu lado.

Com o VIP da Blast! não precisei esperar duas horas e meia pra entrar no evento, como alguns fizeram. Como meu fanatismo não é muito grande, não entraria se tivesse que esperar isso tudo. Do alto do meu otimismo, pensei que dentro estaria bem melhor. Mais uma vez enganado. Se havia mil pessoas na fila, havia duas mil dentro do evento (por volta de 12h30min). O espaço do evento é gigantesco. E a densidade populacional (pessoas/m²) também não deixa a desejar. O número de pessoas perdidas naquele lugar era tão grande que a staff já estava distribuindo mapas do local, com as descrições das atrações nada pontuais que ocorreriam nos diversos espaços.

Depois de rodar o evento praticamente inteiro, achei a sala da Blast! Uma sala bastante humilde, com apenas um computador, duas caixas de som, várias cadeiras e ventiladores mas poucas pessoas na maior parte do tempo. Depois de descansar um pouco, fui honrar o meu VIP. Saí às 13h para fazer anotações do que tinha no evento. (Minha letra está ilegível, por isso não vai sair aqui nem metade do que eu escrevi ontem.)

Torneios de Nintendo DS, sala de exibições, sala yaoi com exibição de animes, campeonato de Guitar Hero, de Naruto, de Guilty Gear e de outros jogos que eu desconheço, exibição de tokusatsus, sala de Pokémon Card Game, sala de Para Para, sala da Animix, sala de cosplay, bebedouros salvadores. Não pára por aí. De stands há: pôsters, espadas, DVDs, blusas, chaveiros, bonecos, bandanas de Naruto, tocas, rabos, orelhas, mangás Comix (JBC, Conrad, etc.), correntes, CDs, Bottons, Colares, Cards, Jogos de Tabuleiro, Mupy e até uma quadra de futebol que se chamava AnimeGol (que ficava dois andares acima do resto do evento).

Depois dessa volta toda para conhecer o evento, preciso de um descanso. Volto pra sala (14:00) e vou botando as músicas que o Futrigo foi dar um passeio. Até que estou fazendo certo sucesso, tem 12 pessoas escutando Beast of Blood. Hitoki chega (14:30) e eu saio para comer com o Cristiano, um amigo que encontrei, enquanto ele fica botando as músicas. Comer num lugar como esse é uma odisséia mas mereceu o percurso. Comi um sanduíche de ricota com tomate seco que me manteve em pé até o final do dia e bebi um mate, que apesar de gostoso, não aliviou o forno que o evento fazia. Tava me sentindo um daqueles frangos de padaria, que ficam girando pra esquentar de todos os lados.

Voltamos para a sala (16:00). Ela já foi dominada pelas músicas ocidentais. Alguns Djs da Blast! e outros da Animix estão botando o povo pra dançar. Como estou me sentindo um completo inútil, vou dar uma volta pra tirar as fotos e depois eu volto.

16H45min. Nossa, dar a volta toda no evento cansa! Mas as fotos ficaram boas, em breve elas estarão no Blast! Fotos. Agora só tá rolando trance na nossa sala, mas tem bastante gente dançando, umas 15 pessoas. Meu cansaço não me permite dançar. Fico conversando com o Cristiano enquanto espero a hora do show do Kouji Wada, a tão esperada apresentação do cantor das músicas originais de Digimon, marcado pras 18:00.

17h15min. Até funk tá rolando!

18h. Desco pro palco assistir o Kouji e tá no fim da apresentação de cosplays. Depois da apresentação, o organizador vem e me diz que agora eles vão preparar o show para o palco do HA!MONEZ e depois seria o Wada. Atraso fenomenal. Mas já estou aqui em baixo mesmo, vou assistir essa banda.

Me impressionou. O som dos caras é bem legal. Eles tocam versões diferentes de músicas de animes conhecidas, a maioria em português. Tinha uma versão punk da abertura de Pokémon, um Rock'n'Roll de Pegasus Fantasy e um reggae do encerramento de Dragon Ball Z (uma música tosquíssima que o Gohan ia correndo enquanto um planeta girava, parecia desenhado por uma criança de 5 anos). Bom que eu sei cantar as músicas, já que assistia esses animes no Cartoon Network.

Aí eu descubro que a janela da sala da Blast! é pertíssimo do palco, dá pra assistir o show de lá e tirar ótimas fotos. Mas quando tento subir, os seguranças me barraram dizendo que já tinham fechado tudo lá em cima. Mas com meu crachá de “Imprensa”, eu disse que precisava pegar minha mochila na sala e aproveitei pra tentar assistir da janela. Mas os seguranças mandaram eu descer e eu tive que assistir lá de baixo. Beleza.

Terminando o show do HA!MONEZ o público trocou de cara. O povo que tava no show para fazer rodinha punk e para zoar com as músicas dos caras foi substituído por um público respeitoso e ansioso pela entrada do Kouji. Dava pra ver pelo rosto das pessoas aquela esperança de ver o cara ali na frente, cantando as músicas que foram da infância de muitos ali. Aproveitei a substituição do público para chegar um pouco mais perto.

Depois de muito atraso, a noite começar a cair (algo por volta de 19h30), e o público começar a chamar “Kouji Wada, Kouji Wada, Kouji Wada” (ou Feijoada, Feijoada – os mais famintos), o apresentador chama o honorável cantor. Ele vem bem feliz, sorrindo, acenando, e depois começa as músicas.

O Kouji parece ser um cara bem humilde. Estava todo de branco, sorrindo quando não estava cantando, do alto de seus 34 anos - que pareciam um pouco mais, já que ele não corria, não pulava, não se esgotava muito. Mas isso não fez com que o público deixasse de apreciar as músicas que ele cantava. Muita gente cantava junto. Eu não sabia a letra de música alguma, mas nem por causa disso eu curti menos. A vibração era muito positiva e o respeito do público era enorme, coisa que eu não vi nem no show do Red Hot Chili Peppers, em 2001.

Entretanto, meu cansaço falou mais alto. Tive que ficar um pouco longe do show para sentar e descansar. Mas continuei ouvindo as músicas e vendo a reação do público. Ele tocou uma que eu conhecia mas não sabia cantar, depois ele tocou Brave Heart (e foi extremamente emocionante pra mim saber cantar a música toda) e, depois de mais algumas músicas, ele fechou a apresentação com Biggest Dream. Teve gente que saiu chorando do meio do público.

Tirando o atraso e o desconhecimento dos staffs sobre as atrações (“Rádio Blast!? Acho que não tem sala pra isso não...”), o evento foi bem legal. Me surpreendeu positivamente. E olha que eu sou bastante cético em relação a isso. Saindo da universidade, vi policiais militares na porta e ouvi dizer que eles receberam uma denúncia de que estavam vendendo espadas de verdade lá dentro. Mas não fiquei pra saber o final...

Publicação original de 30/01/2008. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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