[SEM SPOILER] A VOLTA DE THE FLASH (E DE SEUS PROBLEMAS TAMBÉM)

A sétima temporada da série do velocista escarlate acabou de começar, mas ainda enfrenta os defeitos do passado. Com um primeiro episódio aquém do esperado, a produção corre o risco de perder até os fãs mais fiéis.

10/03/2021 Última edição em 10/03/2021 às 17:41:17

Quando The Flash estreou, quem não acompanhava semanalmente estava cometendo um pecado. Isso não é uma opinião pessoal, mas sim algo óbvio. Em todos os lugares que continham fãs de histórias em quadrinhos, séries e super-heróis em geral, o assunto era o mesmo: as aventuras de Barry Allen e os mistérios que envolviam Harrison Wells e a explosão do acelerador de partículas. Porém, passaram-se as temporadas e o artifício do mistério inacabável começou a saturar. Já não era mais interessante esperar meses pela revelação e teorizar no caminho. O que os telespectadores queriam era renovação.

A sétima temporada de The Flash estreou dia 2 de março de 2021. Imagem: Divulgação.

A verdade é que The Flash virou refém de sua própria fórmula: mentor bonzinho que se revela vilão, herói velocista que sempre está em busca de mais velocidade para derrotar outro velocista, dramas e discursos motivacionais que movem personagens e por aí vai. A primeira temporada ainda é tida como a melhor. A segunda é basicamente uma versão alternativa da primeira e a terceira é onde as coisas complicam. É nessa que muitas pessoas abandonam a produção.

Mas eis que chega a 4ª temporada com a promessa de renovar tudo, a começar por nos apresentar uma novidade: vilão não velocista. O Pensador (DeVoe) dividiu opiniões, mas abriu caminho para que futuros vilões principais fossem mais diversos. Com isso, fomos agraciados com Cicada na 5ª temporada, que definitivamente é o melhor adversário desde o Flash Reverso (agora sim isso foi uma opinião pessoal). Talvez esse último tenha um desfecho questionável, mas sua trajetória é muito mais positiva do que negativa.

Vilões de The Flash em sequência: Flash Reverso, Zoom, Savitar, Pensador, Cicada, Hemoglobina e Eva McCulloch. Imagem: Reprodução.

Após o Cicada, The Flash entra em uma fase complexa (ou melhor, o universo DC/CW que entra). A Crise nas Infinitas Terras foi um evento tão esperado quanto um filme dos Vingadores. Há quem diga que esse crossover foi até melhor que a Liga da Justiça de 2017, mas não é preciso tanto esforço para conseguir esse posto, dado os problemas envolvendo o filme (entenda melhor clicando aqui). Rumores diziam que Barry Allen morreria na crise e sua perda e inevitável retorno seriam desenvolvidos na 6ª temporada. Obviamente, isso não aconteceu, mas a cada episódio do pós-crise, o rumor parecia não ser rumor, mas sim algo que foi mudado aos 47 do segundo tempo. Isso porque o protagonista da série parece perdido e sem importância. Somado a isso, temos o fato de Íris praticamente dobrar seu tempo de tela. Ela nunca foi uma personagem querida pelos fãs, mas até então não tinha prejudicado o personagem-título da série.

O Dr. Ramsey Rosso, vulgo Hemoglobina, foi o adversário da primeira metade da temporada. Ele não é um mau personagem e o ator que o interpreta faz um bom trabalho. O problema é que ele não tem calibre para ser o principal vilão. Após algum tempo, ele perde o posto para Eva McCulloch... que tem o mesmo problema (e alguém se lembra que o Godspeed tá solto por aí? Não, né).

Por conta da pandemia, a 6ª temporada teve que ser encerrada antes do previsto, acabando no episódio 19 ao invés do 22. Então esse primeiro episódio da 7ª temporada é na verdade o 20 da sexta. Não podemos tratá-lo como o início de uma nova jornada, mas sim como mais um capítulo de uma história que, com menos de dez episódios, já perdeu força. Os motivos: os mesmos das temporadas anteriores. Então o título dessa matéria está equivocado, pois algo só volta quando em algum momento se foi.

S07E01: All's Wells That Ends Wells

A volta de The Flash na semana do último episódio de WandaVision foi um tiro no pé. A oportunidade perfeita seria uma semana depois, quando a poeira da produção da Marvel estivesse começando a baixar. Mas quando analisado sob uma ótica geral, esse foi o menor dos problemas. No entanto, as qualidades também merecem ser pontuadas.

O nome do episódio é All's Wells That Ends Wells (alerta de trocadilho!) e gira em torno da decisão de Nash Wells, pois a única forma de salvar a velocidade do Flash é se sacrificando junto com todos os outros Wells que existem dentro de si. Interessante é que, a cada temporada, davam uma faceta nova não para Harrison Wells, mas sim para o ator Tom Cavanagh. Agora ele teve a oportunidade de fazer todas essas facetas de uma só vez e isso foi muito satisfatório.

A única coisa interessante no Flash nesse episódio foi a atuação de Grant Gustin, que por alguns momentos saiu de sua zona de conforto heróica/melancólica e precisou surtar, gritar e fazer palhaçadas. Ainda sobre atores, é necessário mencionar que é visível que a produção está seguindo os protocolos de segurança por conta da pandemia. É nítido que os atores nem se encostam e mantém uma distância de 1 metro e meio (vide a cena em que o Flash cai no chão e os amigos ficam de longe perguntando se ele está bem) e isso é bom, pois nossos amados atores podem trabalhar com pelo menos o mínimo de proteção.

Com isso, a direção precisou ser bem criativa com os truques de câmera para evitar contato direto (teve um aperto de mão e um abraço, mas bem sutis e aparentemente seguros). Outro ponto positivo para o episódio foi o desenvolvimento dado a Cecile Horton, pois os acontecimentos abriram margem para que a personagem cresça. Diferente de Íris, ela adiciona às tramas e não toma espaço. Por fim, a decisão de Nash Wells fez sentido. O clima não foi dos melhores e, se outros personagens estivessem próximos, talvez tudo poderia ter acontecido de forma diferente, mas era o que tinha.

Mesmo que o episódio tenha pontos positivos, os negativos conseguiram aparecer. A começar pela trama da recuperação da velocidade do Flash, que já aconteceu tantas vezes ao longo das temporadas que já se tornou banal. Parece que estamos vendo sempre a mesma história só que com outros personagens envolvidos. Já o arco de Íris se recusa a terminar, pois a solução parece ficar cada vez mais distante e confusa. E tudo isso temperado com muitos discursos motivacionais. Enfim, o problema não é a sexta/sétima temporada. O problema é o passado que não é usado como modelo de melhora para o futuro. Os roteiristas dessa série nunca saíram de 2014 (ano de estréia da primeira temporada), então a repetição é inevitável.

Íris cada vez mais ganha tempo de tela. Especulações apontam que a personagem pode ganhar poderes ao fim de seu arco na sétima temporada. Imagem: Divulgação.

Às vezes, o telespectador só quer ligar a TV e assistir uma série para passar o tempo. E talvez é esse tipo de audiência que vai conseguir segurar The Flash por mais alguns anos. Fato é que se depender dos fãs exigentes que clamam por novidade, a continuidade da série pode até ser ameaçada. As conversas aleatórias e pseudo científicas, conveniências e soluções milagrosas vinda de aparatos, pessoas completando as falas umas das outras e até mesmo os discursos motivacionais fazem parte da cultura pop há quase 7 anos. Muitas séries nem chegam nessa marca, então essa é a prova de que The Flash ainda tem esperança. Basta bom planejamento aliado a bom senso.




3 comentário(s)
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Joke
7 meses atrás
Hmm.. esse lance das Infinitas Terras tem a ver com todas as séries então.. não só em The Flash... bah, preciso voltar a assistir Arrow então, valeu por dizer que foi boa até o final :D
Eduardo Borges
7 meses atrás
Fala Joke! Então amigo... Arrow acabou na 8ª temporada. Única vez que achei a série ruim foi na 4ª temporada porque foi um período no qual a CW estava visivelmente perdida quanto ao direcionamento (e isso também refletiu em Flash). Da 5ª até a 8ª acho sensacional. Só o desfecho que é de qualidade duvidosa, mas realmente não dava para ser diferente dados os eventos da Crise nas Infinitas Terras
Joke
7 meses atrás
Complicado em Edu, nós aqui nem paramos de ver a série pela repetitividade, o tesão que a primeira temporada dava que foi baixando... assim como a primeira temporada de Arrow, puts, como a gente ficava ansioso pelo próximo episódio... espero que as coisas melhores pra essa série... falando nisso, como está Arrow, tem acompanhado? Tá na mesma que The Flash?