Qual o verdadeiro problema com Gun Gale Online?

Gun Gale Online tem de tudo: bom desenho, abertura decente, personagens cativantes, lutas bem desenvolvidas... então por que não funcionou como deveria?

03/04/2021 Última edição em 03/04/2021 às 11:45:34

Há algumas semanas, optei por assistir um anime chamado Gun Gale Online, ou GGO, como é popularmente conhecido. Para quem não conhece, GGO é um anime spinn-off da famosa franquia do Sword Art Online, que enriqueceu a experiência de animes inspirados em games. 

Na verdade, SAO trouxe uma série de temporadas ambientadas em diversos games, um deles o próprio GGO. Assim, era de se esperar que spinn-offs fossem surgir. Enfim, foi uma aposta boa da minha parte. Com toda certeza, não teria a riqueza de SAO, mas em 12 episódios eles claramente trariam algo relevante para assistirmos.

E foi aí, meus caros, que cometi meu primeiro erro. Presumi que seria uma obra de qualidade moderada. No primeiro episódio, não fui decepcionado. A abertura foi bem animada, e somos apresentados a um jogo onde uma dupla improvável (um grandalhao de 2m e uma mocinha toda de rosa medindo 1,3m) derrotam um time série em um campeonato multiplayer. Como estamos falando de um jogo, a fantasia rola solta. E tudo muito bem construído. Nos próximos 3 ou 4 episódios, somos apresentados à protagonista, ao ambiente GGO e aos personagens que irão atuar nesse spinn-off.  Até aí tudo bem.

Como vocês devem saber, um anime possui diversas características que podem agradar ou desagradar o expectador: a trilha sonora, os personagens, os traços do anime, a riqueza de detalhes (ou a falta dela, caso faça sentido), entre outros fatores. Cada fã gosta de algo em particular. Mas o que é indiscutível e tratado com unanimidade entre fãs de animes é que o roteiro é a base sólida para tudo. Podemos ver a melhor abertura, com os melhores traços e vozes em anime, mas se a história for ruim, infelizmente os 22 minutos demoram a passar. 

Gun Gale Online não tem problemas com roteiro, do tipo "furo no roteiro", personagens que são relevantes se tornando irrelevantes com o piscar dos olhos. Não. Gun Gale Online simplesmente não tem roteiro! 

O anime traz dois campeonatos no jogo, e a protagonista, que usa rosa da cabeça aos pés, participa dos dois campeonatos. No primeiro, tem toda a ansiedade de estar em um campeonato online, e até que vemos a relevância da coisa toda. No segundo, a motivação dela é: derrotar a melhor amiga no jogo, pois, caso a melhor amiga perca de outra forma, ela irá cometer suicídio. 

Mas elas não se conhecem na vida real. Quem diz isso é o amante platônico da moça, que iria se matar caso não vencesse um jogo. E tudo evolui a partir disso. Em retrospecto, "evolui" não é um termo adequado. 

Amantes de games, acalmem-se. Sei que há muito drama com relação aos games, e uma carga emocional que pode chegar a ser exaustiva. Não estou desmerecendo problemas psicológicos em games. O que estou dizendo é que GGO superestimou este ponto a tal ponto que ficou exaustivo. Ficavam 20% dos episódios dizendo isso, e outros 20% fazendo a antagonista parecer louca desvairada, quase uma psicopata dos games. Isso porque ela atirava em inimigos. Em um jogo. Não real. 

Para muitas pessoas, a realidade virtual é o local perfeito para idealizar o que não pode ser feito em sua vida real. Nem que seja de brincadeira. Há diversos relatos na internet de pessoas que colocaram personagens do The Sims em um quarto e simplesmente deletaram a porta para ver o que ia acontecer. Ou colocam nomes extremistas em guildas de games para fazer aquela graça-sem-graça-nenhuma. E todas estas pessoas saem do jogo e seguem com suas vidas normalmente. Mas não em Gun Gale Online. 

O assunto fica tão tedioso que eles mencionam Sword Art Online sem parar, para ver se os fãs ficam com saudade e ignoram a falta de criatividade deste spinn-off. 

Em Sword Art Online, lembrem-se que os personagens morriam na vida real caso morressem no jogo. Havia um perigo real ali. Em GGO, era apenas um jogo, e decidiram trazer a mesma carga emocional de SAO. Infelizmente, a motivação era diferente, e, dessa forma, fomos apresentados a um resultado abaixo do esperado.

Não estou dizendo que o anime foi ruim em tudo. Muito pelo contrário, ele foi bom em quase tudo. Design, trilha sonora, personagens carismáticos (incluindo a doidinha), agilidade nas cenas. Só falhou no que era mais interessante: enredo. 

E falharam porque tentaram criar um Sword Art Online 2.0 quando já existia um SAO 2.0. Inclusive, SAO fez uma temporada ambientado em GGO, e eles tentam descobrir porque personagens morriam no game e morriam na vida real. Olha só que enredo, meus caros! 

Ou seja, GGO conseguiu ser pior que SAO ambientado em GGO. E tinha tudo pra ser bom. 

Meus queridos, esse post não deve ser entendido como uma contra-dica. Na verdade, aqui é um ambiente democrático de debate. Em que eu "falo" sem parar, vocês comentam, e eu nunca respondo rsrs

Mas falando sério agora, o objetivo aqui é discutir: o que realmente faz um anime ser bom?

Peguemos, por exemplo, um anime que geral ama e diz ser o melhor do mundo (sem nenhuma tendência do redator): Fullmetal Alchemist Brotherhood.

Em FMA Brotherhood, temos um excelente desenho, lutas bem trabalhadas, aberturas bem desenvolvidas com músicas excelentes. Mas, no fim do dia, o que faz FMA Brotherhood ser o melhor de todos é simplesmente o fato do enredo ser muito bom. E o mesmo se repete com tantos outros bons animes: Death Note, Hunter X Hunter, Attack on Titan, e por aí vai. 

Gun Gale Online, enquanto spinn-off, focou na beleza gráfica de SAO, elogiada por todos, mas se esqueceu do essencial: plot. Eu costumo elogiar todo anime que assisto, simplesmente porque tem um enredo minimamente empolgante. Mas GGO exigiu demais de pouca coisa e resultou em um anime que nem vai pra listinha (sim, tenho uma lista) de melhores assistidos em 2021, e olha que estamos no primeiro quadrimestre do ano ainda.

Enfim, acredito que destaquei pontos que espero que vocês tenham gostado. 




1 comentário(s)
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Las Noches
6 meses atrás
eu gosto muito dessa obra!