Por que jogos de plataforma são tão legais?

Um dos gêneros mais clássicos já criados na indústria de games e que levou aos fliperamas e consoles séries que se tornaram conhecidas mundialmente, os jogos de plataforma vieram para ficar e caíram rapidamente no gosto do público, mas por que será?

08/11/2020 Última edição em 09/11/2020 às 10:53:13

Sendo um dos gêneros mais clássicos já criados na indústria de games e que levou aos fliperamas e consoles séries que se tornaram conhecidas mundialmente, os jogos de plataforma vieram para ficar e caíram rapidamente no gosto do público, mas por que será?

Se pararmos para observar, a maioria dos jogos de plataforma que surgiram no início dos anos 80 e 90 apresentavam gráficos em 2D baseados em sprites com uma progressão quase sempre linear, exceto em casos como Metroid e Castlevania que introduziram um novo estilo de level design. Mas fora isso, você basicamente se deslocava pela fase, coletava itens e pulava em blocos ou desviava de obstáculos. Contudo, conforme o tempo foi avançando novas habilidades e recursos começaram a surgir na tela, evoluindo da pré-renderização (o chamado 2D e meo) até o completo 3D. Alguns jogos memoráveis daqueles tempos são Sonic, Mario, Mega Man, Donkey Kong, Alladin e tantos outros. Era uma jogabilidade simples; sofisticada, porém simples.

Simplicidade talvez seja a chave para criar jogos divertidos de jogar e com uma alta taxa de replay, algo que nos dias de hoje pode ser desafiador de ser encontrado fora do universo Indie, porém alguns jogos de plataforma que foram anunciados para a atual geração e a que está por vir, como  SackBoy: A Big Adventure e Crash Brandicoot 4 parecem unir o clássico ao novo sem deixar aquela essência que definiu o gênero de plataforma de lado.

Sack Boy: A Big Adventure

Crash Brandicoot 4

Em Sackboy: A Big Adventure temos plataformas com mecânicas em 3D, algo que deu certo para algumas séries e outras não, onde podemos ver no gameplay acima o uso muito interessante das texturas e de habilidades do personagem para se pendurar em blocos; já em Crash Brandicoot 4 é difícil não sentir uma espécie de nostalgia, pois o jogo traz uma pegada bastante old school.

A indústria de jogos Indie também nos dá um ótimo exemplo de como fazer jogos de plataforma, a começar pela série Trine, uma obra de arte fantástica que, longe de mascarar a jogabilidade com gráficos sensacionais, faz jus  a todo potencial que é possível alcançar no desenvolvimento de jogos, representando a natureza de uma forma única nos cenários, tanto nas texturas quando nos movimentos de plantas, animais e estruturas que são de impressionar, além de adicionar elementos de quebra-cabeça desafiadores no jogo. Outra produtora que não tem como deixar de ser mencionada também é a Playdead Studios que, cá entre nós, é difícil enxerga-la como Indie nos dias de hoje. Limbo e Inside são ótimos exemplos de jogos de plataforma lançados por esse estúdio que conseguiu combinar simplicidade com excelência, apresentando inicialmente um mundo monocromático repleto de quebra-cabeças e, posteriormente, uma mecânica de fuga, algo que não é tão comum de ser visto como recurso principal, onde você sente um pouco do medo e da adrenalina do personagem que está fugindo de pessoas e cachorros que querem captura-lo a todo custo.

Talvez o primeiro jogo de plataforma tenha sido Donkey Kong, lançado originalmente em 1981 para fliperama pela Nintendo e que foi projetado pelo lendário Shigeru Miyamoto, um design e artista que contribuiu para que a indústria de games florescesse outra vez, após o crash de 1983 que levou muitas empresas à falência. Com sua visão única, ele projetou e desenhou jogos que deram início a séries que se tornaram renomadas. Em Donkey Kong, foi onde Mario (na época conhecido como Jumpman) e outros personagens famosos apareceram pela primeira vez,  onde Jumpan precisava salvar a sua namorada das garras de um terrível gorila. O jogo é bem divertido e apresenta uma certa dificuldade, pois enquanto estamos subindo as plataformas precisamos desviar de barris e obstáculos que são atirados na nossa direção.

A questão é que os games de plataforma estão por aí, mesmo após décadas de seu surgimento, e novos títulos continuam sendo lançados ano após ano, caindo no gosto do público, o que mostra que este gênero continua agradando e que uma receita pode ser adaptada, mantendo a mesma pegada original, sem ficar defasada. É como o grande Alexey Pajitinov, criador do Tetris, disse uma vez... Foi algo mais ou menos assim: "a tecnologia muda drasticamente, mas o intelecto humano continua o mesmo, e é por isso que algo que agradava a trinta anos atrás ainda vai continuar despertando interesse, e eu acredito que os melhores jogos vão sobreviver para sempre".




1 comentário(s)
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Ashllan
2 semanas atrás
Gostei muito dessa matéria. EU gosto muito de jogos de plataforma, e Crash 4 veio para mostrar, depois dos remakes dos 3 do PS1, que esse jogo tem muito público e que sua mecânica é muito cativante. Existem outros muito interessantes, e acredito no poder da criatividade nos games, no poder do recriar, repensar o que já existe, e trazer de volta o que é nostálgico.