Pirataria: A maior ameaça que a Liga da Justiça de Zack Snyder poderia enfrentar

Faltando menos de um mês para a estreia mundial do Snydercut, informações detalhadas sobre o lançamento ainda são escassas.

24/02/2021 Última edição em 25/02/2021 às 04:05:23

Em 2017, chegou aos cinemas “Liga da Justiça”, filme que não foi um sucesso de bilheteria e muito menos de crítica. A história por trás desse lançamento é cheia de capítulos revoltantes, confusos e tristes. Zack Snyder, o diretor original do longa, precisou se afastar por motivos pessoais, mas a produção não podia parar. Assim, o filme ficou nas mãos do polêmico Joss Whedon, que na época ainda era cultuado por ser o diretor do primeiro Vingadores. Ou seja, a Liga da Justiça de 2017 não tem o direcionamento pensado por Snyder, o que o torna outro filme.

Quase quatro anos depois, finalmente o mundo poderá ver o que Zack Snyder idealizou (obviamente, com alguns elementos adicionados, mas ainda assim, sua visão). O diretor divulgou nas redes sociais que seu longa, popularmente conhecido como “Snydercut”, vai chegar mundialmente no dia 18 de março, junto de sua estreia nos EUA. Pode parecer redundante falar dessa forma, afinal de contas um lançamento global inclui os EUA. No entanto, essa informação foi necessária dada as críticas que a Warner recebeu ao divulgar que o Snydercut chegaria exclusivamente por meio do serviço de streaming HBO Max.

O problema: esse streaming não está disponível em todos os países e, no Brasil, só vai chegar em junho deste ano. Com isso, a Liga da Justiça de Zack Snyder fica ainda mais ameaçada pela arqui-inimiga das produções mercadológicas: a pirataria. Mesmo que recentemente os meios legais tenham sido confirmados (com carência de detalhes quanto a preços e locais exatos), isso não afasta tal ameaçada que, infelizmente, é fortalecida por conta da pandemia e o consequente fechamento dos cinemas.

A Liga da Justiça de Zack Snyder estará disponível mundialmente em todos os mercados no mesmo dia que nos EUA em 18 de março via on-demand, download digital, linear ou streaming.

Zack Snyder via Twitter

HBO max vai chegar ao Brasil cerca de três meses após o lançamento oficial do Snydercut. Imagem: Divulgação.

Zack Snyder VS HBO Max VS a pirataria

Tomando como base outro grande lançamento da DC/Warner, temos o exemplo de como “Mulher Maravilha 1984” chegou em terras brasileiras. O segundo filme da amazona foi lançado em cinemas selecionados e em serviços online de aluguel e compra por preços nada convidativos (respectivamente R$49,90 e R$69,90). Algumas horas após seu lançamento oficial, o filme já estava em sites de downloads ilegais e com a mesma qualidade do streaming. Pirataria é crime e isso não está aberto à discussão. Porém, convém ressaltar que a pirataria existe com ou sem condições favoráveis, mas em relação a streaming, tudo ocorre um pouco diferente.

Quando o filme é lançado diretamente via streaming, é muito mais fácil ser pirateado, pois ao invés de câmera escondida no cinema, é necessário apenas um computador e pessoas dispostas a cometerem o ato ilegal. Mesmo que exista uma parcela de pessoas que defenda que a pirataria é um ato de "protesto saudável", a lógica e os fatos dizem o contrário. Um grande exemplo é Kick-Ass, que teve dois longas lançados no cinema e não terá um terceiro justamente por conta da pirataria. O segundo filme foi vazado na internet, não fez a bilheteria esperada e a consequência foi o cancelamento de uma provável terceira parte. A própria Chloë Grace Moretz (Hit-Girl) afirmou isso em entrevista ao Digital Spy. A esperança é que a Netflix reviva os personagens, mas isso é assunto para outro momento.

Kick-Ass 2 é um exemplo de como a pirataria não contribuiu com o futuro das franquias. Imagem: Divulgação.

No mundo ideal, a Warner tinha que ter articulado melhor suas prioridades e distribuído o HBO Max no mundo todo antes das datas de lançamento de suas produções. Estamos falando de uma das maiores empresas do mundo e que, teoricamente, tem uma boa organização. Então, a companhia sempre teve conhecimento de seu próprio calendário.

O Snydercut é uma conquista mundial e não apenas da terra do Tio Sam. Ou será que a Warner realmente acredita que todo o engajamento da hashtag #ReleaseTheSnyderCut veio apenas dessa parcela de fãs? O egocentrismo norte-americano (ou estadunidense, se você preferir) nunca impediu que empresas tomassem boas decisões. Há também a possibilidade de o filme ser exibido em TV por assinatura no próprio dia 18 de março, mas isso só esperando para ver. Snyder também deu a entender que existe uma possibilidade de exibição em cinemas, mas nada confirmado. Dublagem? Pouco provável, já que nenhum material promocional do longa foi lançado em português falado.

Sobre questões de estratégia de lançamento, nem é preciso fazer comparações com concorrentes tipo o Disney Plus (que já está preparando franquias como a Marvel para o futuro predominantemente no streaming – leia mais aqui).  No passado, a própria Warner tomou decisões assertivas e mercadologicamente inteligentes. A série Titans (Titãs) é uma produção do antigo formato do DC Universe, que na época também não tinha chegado ao Brasil. Para contornar essa situação, a Warner fez uma parceria com a Netflix para que a série, posteriormente, pudesse chegar aos fãs brasileiros. Quem já assinava a Netflix, não precisou pagar adicionais, atitude esta que foi elogiada pelos usuários da plataforma.

Então por que não fazer o mesmo com o Snydercut? Talvez por não fazer sentido a Warner ter toda a mobilização de fechar parcerias e menos de três meses depois ter que remover o filme do catálogo de terceiros como a Netflix ou o Prime Video. Teoricamente, o HBO Max vai substituir o HBO GO que existe no Brasil. O correto seria lançar o filme já no GO para que os assinantes pudessem assistir o Snydercut sem ter que pagar dinheiro extra para uma empresa do qual já assina um streaming.

O filme foi pedido pelos fãs. Então as pessoas que se mobilizaram, com certeza vão fazer o derradeiro apoio, seja com taxas adicionais ou não. Mas se os olhos da Warner forem maiores que a barriga e a empresa cobrar preços muito elevados, como aconteceu com Mulher Maravilha 1984, é provável que haja uma campanha reversa e o apoio vire boicote. A Warner não é uma instituição filantrópica, então tudo depende não de sua boa vontade, mas sim da lógica e do nível de análise mercadológica empregadas.

Snydercut VS Walter Hamada VS O futuro

Zack Snyder, aparentemente, está muito ocupado e já tem outros projetos. Encaixar mais um filme da DC em sua grade seria difícil. Walter Hamada, presidente da DC Films, disse que o longa é “um caminho sem volta”, “uma rua sem saída”. Afirmação que evidencia uma autossabotagem totalmente intencional e condizente com suas atitudes e da Warner como um todo, pois o marketing do filme vem majoritariamente do próprio Snyder. Ele é o diretor e não o distribuidor. Isso é complexo e envolve muitas variáveis, mas fato é que se nossos heróis conseguirem sucesso, quem sabe até os executivos não mudem de ideia e a Liga da Justiça de Zack Snyder tenha futuro.

Foram anunciadas histórias em quadrinhos que continuam os universos dos filmes do Superman de 1978 e Batman de 1989. Seria esse o futuro do Snydercut? É um debate interessante, mas não para agora pois Superman, Batman, Mulher Maravilha e companhia precisam se mobilizar contra seu maior vilão. Darkseid? Não. Lobo da Estepe? Muito menos. Dia 18 de março de 2021 será um evento. E esperamos que dentro da legalidade.




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