Netflix: Tudo bem não ser normal

Se você não acredita em amor à primeira vista, é porque ainda não conhece Tudo Bem Não Ser Normal, novo dorama da Netflix!

23/07/2020 Última edição em 23/07/2020 às 16:21:38

A série sul-coreana It’s Okay Not To Be Okay (Psycho But Okay), da tvN, estreou na Netflix em junho deste ano e ainda está em andamento, tendo seus episódios liberados aos sábados e domingos. Conta a história do encontro entre uma escritora de livros infantis e um cuidador de uma enfermaria psiquiátrica, dando início a uma jornada de superação dos problemas emocionais que ambos enfrentam (Netflix).

O primeiro episódio é encantador, impossível não se apaixonar pela animação inicial em stop-motion, acompanhada de uma trilha sonora envolvente e da narrativa de um conto infantil, é tudo surpreendente! Foi amor à primeira vista! Neste mesmo episódio, já somos apresentados a algumas das feridas e cargas emocionais dos personagens principais.

Moon Kang-tae (Kim Soo Hyun) trabalha na ala psiquiátrica de um hospital, sempre lidando com situações inesperadas. É um homem belo e encantador, mas que, por trás do doce sorriso, carrega consigo muitas responsabilidades e o peso de uma maturidade desenvolvida muito às pressas. A sua criação foi direcionada a cuidar do seu irmão e, com a morte de sua mãe, acaba tendo que tomar para si a responsabilidade por Sang-tea. O seu desenvolvimento durante a trama é incrível e nos faz refletir sobre muitas das atitudes que muitas vezes tomamos para enfrentar as dificuldades da vida.

Ko Moon-young (Seo Yea-Ji) é uma popular escritora de literatura infantil, mas é uma pessoa bastante excêntrica, rude, arrogante e até mesmo assustadora. Ela é intrigante e, em um primeiro momento, pode-se até pensar que é uma pessoa má. A verdade é que é muito difícil não se sentir atraído pela sua personalidade vibrante, sua autoconfiança e todo seu charme. O problema é que, ao mesmo tempo, ela também pode ser muito volúvel, inacessível e demonstrar zero empatia. Mas não tire conclusões precipitadas, ela é uma personagem muito complexa e que, à sua maneira, tem muito a ensinar.

Moon Sang-tae (Oh Jung-Se) é irmão mais velho de Kang-tae e está no Espectro Autista. Ele é um grande fã da Moon-young e das suas obras e tem muito talento para o desenho. Sang-tae apresenta alguns comportamentos característicos de pessoas no Espectro Autista, como hiperfoco (concentra-se intensamente a tudo que diz respeito a determinado tema), autoagressão (quando está nervoso e ansioso, ele machuca a mão ou bate a cabeça na parede), sinceridade, inflexibilidade, crises e dificuldade para lidar com emoções - lembrando que há diversidade no espectro, cada pessoa é única e não se pode generalizar, estas são apenas algumas características observadas no decorrer da série.

A saúde mental é um tema que perpassa toda a trama e é abordada de forma sensível e pé no chão. A série traz essa temática densa muito bem explorada, uma estética sombria encantadora, um enredo envolvente e uma atuação incrível dos atores, tanto principais quanto secundários. Acredito que seja o grande título dessa temporada. É um drama que nos faz refletir e ter um olhar mais sensível em relação ao outro. O que é ser normal? Quem realmente é normal?

Confira o trailer:

 E aí, o que tá esperando? Bora maratonar! ;)




1 comentário(s)
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6 meses atrás
Oi pessoal, segue meus comentários sem Spoilers.... 1) Achei uma série muito impactante e recomenedo totalmente a todos assistir. Tocou no fundo meus sentimentos e como se fala no artigo "nos faz refletir e ter um olhar mais sensível em relação ao outro" 2) O filme toca traumas íntimos a cada momento de forma magistral. 3) A música da série é sensacional, com o tema "In Silence", "In silence, no one answers, but I still hear your voice", com o vocal perfeito da Janett Suhh. Algumas músicas me lembraram o trecho da música do filme Gladiador (Now we are free ) ou da música de Gotye (Somebody That I Used To Know). 4) trabalho dos atores simplesmente bom. 5) Adorei ver as comidas, a forma de viver, de dormir, a cultura normal na Coreia do Sul. 6) A parte romántica mantém o suspenso. O que achei ruim: 1) O role da Park Kyu-young e outros personagens poderiam ter tido mais força e relevância (sem spoilers) 2) Os 2 últimos capítulos são comerciais, tentando responder como ficam as coisas, mas ainda assim deixam muito sem resposta. 3) A série perde força ao incluir constantemente publicidade. 4) Muitos momentos de lembranças que não adicionam nada. Meu Resumo: Exclente série, com suspenso, humor, ação, romance, terror e uma visão sensível da vida. Vale a pena assistir, para mim é até hoje o melhor seriado Coreiano que já assisti