Os Quadrinhos e a Ciência: o que é possível e o que não é dentro desses mundos divergentes? 

No mundo real, ninguém pode sair por aí voando como o Super-Homem ou escalar prédios e subir em paredes como o Homem-Aranha, mas mesmo assim, toda criança e todo adulto fã de super-heróis já se perguntou se existiria uma possibilidade, mesmo que pequena, desses superpoderes existirem de verdade. Será que bastaria nascer com um gene mutante para que se manifestassem poderes especiais como os do Magneto? Vem com a Blast descobrir!

18/10/2018 Última edição em 31/10/2018 às 13:16:23

Yooooo Blasters!!!

Quem nunca assistiu um filme de super-herói, que atire a primeira Kriptonita! Tirando o trocadilho, é claro que todos nós já tivemos contato com o universo dos super-heróis, ainda mais hoje, com tantos lançamentos de filmes e série sobre o gênero que cada vez tem atraído a atenção de todos. 

Porém, no mundo real, ninguém pode sair por aí voando como o Super-Homem ou escalar prédios e subir em paredes como o Homem-Aranha. Mesmo assim, toda criança e todo adulto fã de super-heróis já se perguntou se existiria uma possibilidade, mesmo que pequena, desses superpoderes existirem de verdade. Será que bastaria nascer com um gene mutante para que se manifestassem poderes especiais como os do Magneto? 

As histórias em quadrinhos não só ação, drama e aventura. Para ser sincero, a maioria delas utilizam alguns conceitos científicos, às vezes conceitos mais simples, às vezes mais complexos, para poder explica os poderes dos mocinhos, e até mesmo dos vilões, ou ainda para explicar enlaces do próprio enredo. 

Então o que dentro do universo dos Comincs, séries e filmes, que tanto amos, faz sentido a luz da ciência e o que é literalmente sem pé nem cabeça? Vamos descobrir?! 

Desafiando a gravidade! 

De todos os super-heróis, de longe, o que mais desafia Lei da Gravidade é o Homem de Aço. Isso porque o poder de voar é um dos mais difíceis de acontecer, para não dizer que é realmente improvável. 

Mas acredite, nem sempre Clark Kent e Isaac Newton, com sua Lei da Gravitação Universal, viveram em guerra. Logo no início do lançamento dos quadrinhos do Superman, o super-herói mais forte do universo DC não possuía esse poder, o máximo que conseguia era saltar os arranha-céus com um único impulso, e isso era explicado de uma forma plausível. Era argumentado que o Superman veio de uma civilização muito avançada e os seus habitantes tinham dotes físicos mais avançados também. E havia um fator primordial para isso: a gravidade da Terra em relação ao planeta Krypton, era muito menor e isso dava uma força muscular tremenda ao Superman, já que ele precisava fazer muito mais força para superar a barreira da gravidade de Krypton, do que aqui. Uma explicação bem lógica, e foi assim por alguns anos, até que a audiência falou mais alto.  

Os autores da DC Comincs acabaram por incrementar algumas habilidades ao Super-Homem em resposta a queda na audiência e na venda de HQs, mesmo que para isso fosse preciso abandonar alguns fundamentos científicos dali para frente, assim foram implementadas diversas habilidades, entre elas, voar.  

Mas apesar da explicação, dada no início, parecer convincente para nós, ela não é tão lógica a luz da ciência. Só para se ter uma ideia, vamos supor que Clark Kent seja apenas 1.000 vezes mais forte que um terráqueo comum, que consiga levantar 100 kg. Isso nos leva a concluir que ele poderia levantar impressionantes 100.000 kg. Mas para que ele tivesse essa adaptação, em resposta as condições de seu planeta natal, Krypton deveria ser 1.000 vezes mais maciça que o planeta Terra, e isso fisicamente é impossível, já que a força gravitacional desse planeta seria tão grande que forçaria as partículas de sua superfície a se unirem, dando origem a uma reação chamada fusão nuclear e, como nós sabemos, essa reação só ocorre em estrelas como o Sol. Então na verdade Krypton não poderia ser um planeta (pelo menos não com essa massa), e sim uma estrela. Sem dizer que, para o Super-Homem ser 1.000 vezes mais forte ele necessariamente precisaria de músculos e ossos 1.000 vezes mais fortes também, e hoje não existe nenhum material natural ou sintético que chegue próximo a isso. 

Mutações e o milagre do Gene-X 

Antes de começarmos, quero dar uma boa notícia a você: você é um mutante, assim como eu e toda a humanidade, mas provavelmente não iremos acordar de um dia para o outro com asas de anjo ou lançando fogo e congelando as coisas por aí.  

Isso acontece porque desde o nosso nascimento e durante toda a nossa vida o nosso DNA muta, e na maioria das vezes essa mudança é pequena e inofensiva, mas ela também podem ser prejudicial. Mas não percam as esperanças, porque de vez em quando uma mutação pode produzir algo digno da Escola Charles Xavier para Jovens Superdotados, de verdade! 

Então não é a toa que a genética está nas estrelinhas de grandes obras dos cinemas, da TV, dos livros e dos quadrinhos, e na maioria das vezes nós temos a história de um personagem que sofre algum tipo de mutação que lhe confere superpoderes, como acontece com os X-Men.  

Como eu disse antes, de certa forma somos todos mutantes, isso porque, cientificamente falando, todas as formas de vida da Terra tiveram um ancestral comum que passou por diversos processos de mutação, e isso associado ao processo de seleção natural, resumidamente, deu origem a toda essa diversidade de seres vivos, incluindo você. Óbvio que esses processos duraram milhões de anos e passaram por milhares de gerações, mas mesmo sendo lenta e não direcionada, a evolução continua sendo fantástica, e não é surpresa que a ficção científica tem usado ela para criar histórias e personagens. 

Mas que raios é essa tal de mutação? Mutações são alterações que ocorrem no DNA durante o processo de multiplicação celular, e essas alterações podem fazer com que o organismo ative determinadas proteínas que irão regular os processos metabólicos ou até mesmo ativar outros genes que estão “desativados”. Saindo da parte teórica, e indo direto para os X-Men, nós sabemos que os mutantes da MARVEL, são humanos que expressam o “gene-X”.  Alterações aleatórias no código genético desbloqueiam esse “gene-X” dormente e a sua expressão vai produzir proteínas, que por sua vez vai produzir sinais químicos para todo corpo, modificando o metabolismo ou induzindo a mutação em outros genes, resultado nos poderes que nós tanto amamos. Ou seja, ser mutante nada mais é que o resultado de uma cascata de reações químicas muito radical.  

Então sair de meros mutantes habituais que apenas conseguem produzir uma enzima que digere a lactose, ou produzem cores diferentes para os olhos, ou ainda, cabelos ruivos, para os plenos mutantes como os X-Men, teoricamente não é coisa de outro mundo. Na verdade, em 2013,  pesquisadores descobriram  um  gene com potencial para regenerar membros,  como acontece com as salamandras e as estrelas-do-mar. As salamandras, por exemplo, são capazes de regenerar completamente partes do corpo, olhos e até mesmo partes de seu cérebro. Nós provavelmente temos a mesma habilidade, mas ao longo da cadeia evolutiva alguma coisa foi desligada, mas isso apenas é uma possibilidade. 

Então quais as mutações que nós já conhecemos que de fato são incríveis? Bom, já foi documentado que algumas crianças nascem com uma mutação que inibe a sensação de dor e outras que possuem hipertrofia muscular relacionada à miostatina, uma mutação genética que dobra o volume muscular. 

Mas é preciso destacar que ninguém sabe que poderes podem estar escondidos em nosso genoma, além disso, a evolução trabalha selecionando naturalmente mutações aleatórias que ocorrem no DNA de um organismo, selecionando a mais vantajosa para a espécie ao longo do tempo. Então tecnicamente se for dado tempo suficiente, o próximo passo da evolução da humanidade poderia ser mais para Wolverine ou Mística, e isso pode acontecer mais cedo do que pensamos. 

Mas e o Homem-Aranha? 

Bom, para falar do Homem-Aranha, nós poderíamos entrar na seara da engenharia genética que atualmente tem estudado bastante sobre técnicas de edição do DNA, porém, a habilidade que mais chama a atenção nesse personagem é o poder de escalar paredes! 

No universo Marvel, essa habilidade do Cabeça-de-teia não tem absolutamente nada a ver com a forma como aranhas reais se agarram às paredes, como todos nos pensamos. A explicação que veio desvendar esse mistério apareceu na primeira versão do Manual Oficial do Universo Marvel, que explica sua habilidade como vinda das forças eletrostáticas, confere só o que diz o Manual: 

A exposição do Homem-Aranha ao veneno da aranha mutante induziu uma alteração em todo o cerebelo mutagênico de seus engramas resultando na capacidade de controlar mentalmente o fluxo de atração inter-atômica (força eletrostática) entre as camadas moleculares de fronteira.

Se isso soou como pseudociência, é por que realmente é mesmo. Então, vindo para a realidade, a única forma para o super-herói conseguir realizar essa proeza, seria tendo membros adesivos que aderissem a superfície e suportassem o peso de maneira suficientemente forte, de modo a possibilitar a habilidade de escalar. 

Mas aí esbarramos em uma pesquisa recente (de 2016) onde cientistas descobriram que para algo do tamanho de um ser humano possa escalar as paredes, como faz o Homem-Aranha, é preciso de “fixações” adesivas recobrindo 40% do corpo, o que tornar a escalada pelas paredes impraticável, já que grande parte do corpo estaria preso à parede, assim não se teria muito espaço para se movimentar e, muito menos, manobrar.  

Hipoteticamente, um super-herói humano poderia se agarrar às paredes e ter melhor capacidade de manobra se tivessem pés muito grandes, mas eles teriam que ser enormes. Para ser mais preciso, os pés do super-herói deveriam ser super pegajosos e ele deveria calçar sapatos tamanho 375, isso mesmo que você leu, sapatos tamanho 375! Nesse caso o Homem-Aranha deveria passar a se chama Homem-pé-grande, ou seria melhor Homem-Yeti? 

E lá vamos nós... Para o Mundo Invertido 

Uma das séries que mais se inspirou em teorias cientificas na atualidade, sem dúvida foi Strager Things. Fazendo referências a diversos filmes, jogos, livros e cultura dos anos 80, a série nos presenteia com o um das mais curiosas teorias científicas: A teoria dos Multiversos. E não é apenas em Strager Things que vemos essa ideia como pano de fundo para a história, em diversos enredos, tanto da DC, quanto da MARVEL, é possível encontrar roteiristas que gostam de beber dessa fonte. Claro que a primeira usa e abusa muito mais dessa teoria que a segunda... Mas vamos ao que interessa. 

O mundo invertido é um lugar definido como uma espécie de Vale das Sombras, do RPG Dungeons & Dragons. De acordo com o próprio Dustin (Strager Things), o Vale das Sombras é uma dimensão que é um reflexo escuro ou um eco do nosso mundo. Ele está bem debaixo dos seus olhos, mas você não o vê. Em outras palavras, o aterrorizante Mundo Invertido é uma realidade paralela a qual não conseguimos acessar. E como se a existência desse mundo fosse pouca coisa, esse lugar é o lar do monstro sem face que aterroriza a cidade de Hawkins, carinhosamente apelidado de Demogorgon. 

A série oferece uma explicação muito simpática para a existência desse mundo paralelo, fazendo uma analogia com um equilibrista e uma formiga: imagine que você é um equilibrista em uma corda bamba. As únicas direções que você pode andar são para frente e para trás. Mas, se você fosse uma formiga, poderia ir para o lado que quisesse, inclusive para o lado de baixo da corda.  

Como isso, o que nos é sugerido é que acessar uma realidade alternativa é uma questão de dimensão, tudo depende do seu tamanho, e isso não é conversa fiada da série, alguns cientistas acreditam nisso, de certa forma. A física quântica está aí para provar. Essa é a área da física que estuda, muito basicamente, o que acontece com as coisas em um nível menor do que o dos átomos, onde tudo pode acontecer. Uma ideia que aparece também na história do Homem Formiga, da MARVEL.

Como falamos no início, isso se relaciona diretamente com a polêmica Teoria dos Multiversos, também conhecida como Teoria das Cordas. Polêmica porque, como é impossível testá-la em laboratório, muitos pesquisadores a tomam como mera especulação.  

Segundo a teoria, as coisas no universo seriam formadas de acordo com a vibração de pequenos filamentos, ou cordas, menores do que quarks e léptons (as menores estruturas da matéria conhecidas hoje). De acordo com esta ideia, o universo teria 11 dimensões, que não podemos acessar exatamente por uma questão de tamanho.  
Mas o fato é que não há como saber se existe todas essas dimensões, e muito menos se existe algum monstro que se alimenta de humanos em alguma delas, e sinceramente eu é que não quero descobrir, vai que… 

Então é isso pessoal! Até a próxima o/




3 comentário(s)
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Meglias
2 semanas atrás
Vlw Konekomaruuuu! Que bom que gostou ^^
Konekomaru
2 semanas atrás
Meglias que matéria bacana, parabéns!
Ashllan
2 semanas atrás
Gostei muito da matéria bem interessante e bem simples de compreender. Eu quero ter algum poder também de mutante.