O que há de tão especial em Overwatch

Tendo recentemente completado 2 anos, Overwatch se consolidou como um dos grandes jogos de FPS ONline com suas mais de 40 milhões de cópias vendidas sendo um dos games mais assistidos na Twitch. Estamos às portas de um importantíssimo evento, a Overwatch World Cup, e temos também eventos in game como os Jogos de Verão, possivelmente a caminho, mas o que os jogadores de Overwatch ganharam com essa celebração toda? O que eles comemoraram com 2 anos do game e do que eles podem se gabar que quem não joga não pode?

20/06/2018 Última edição em 20/06/2018 às 11:31:41

O Game

Overwatch, para quem não teve a oportunidade de conhecer, é um jogo multiplayer online de FPS (tiro em primeira pessoa) da poderosa Blizzard, lançado para PC, PS4 e Xbox One oficialmente no dia 24 de maio de 2016. A proposta principal do game era a de colocar duas equipes de seis jogadores cada em combates intensos, com objetivos estratégicos, que vão muito além de descer a bala no inimigo, como escoltar uma carga por um mapa inteiro (ou impedir que a equipe inimiga a escolte), tomar um ponto que está sob controle da outra equipe ou fazer as duas coisas em sequência.  Em resumo, o game sempre teve como objetivo colocar uma situação onde uma equipe tem um objetivo e a outra tem que impedir a primeira de atingi-lo. 

Sempre houve em Overwatch características muito fortes de outros gêneros de jogos, coisas não tão comuns em jogos de tiro. Primeiramente a presença de classes como suporte, ofensivo, defensivo e tanques (se bem que com a nova atualização que está por vir, defensivo e ofensivo se tornarão uma única coisa chamada DANO). Isso podia até ter lá suas adaptações em outros FPS, mas não foram conceitos introduzidos nesses jogos como Overwatch o fez. Em qual outro jogo de tiro você poderia escolher um personagem capaz de conjurar um escudo gigante para proteger seus aliados dos ataques inimigos e revidar com um poderoso martelo? Certamente nenhum outro FPS havia apresentado uma proposta assim, e isso é só algumas das características que o tornam um game tão único.

O que tornou Overwatch um jogo tão diferente dos demais FPS, primeiramente, foi seu visual. Gráficos cartunescos, personagens carismáticos e cenários coloridos chamaram a atenção e atraíram um público muito diversificado. De crianças a adultos, de homens a mulheres, o game possuiu sempre um conceito muito forte quando se tratava de inclusão e é em cima desta palavra que vamos começar a falar sobre os motivos pelos quais Overwatch é um bom game e mereceu dois anos de sucesso.

Uma boa história

A história de Overwatch também sempre foi uma das coisas mais marcantes no game. FPS normalmente são conhecidos por conterem histórias rasas, fracas e sem profundidade. Em um game cujo o modo campanha é inexistente, focando-se exclusivamente no PVP (Player vs Player) esperava-se que o mesmo se aplicasse, ou ainda mais, esperava-se uma total ausência de enredo. Mas não é que recentemente a mascote do jogo, Tracer, apareceu até mesmo no filme "Jogador Nº1"?

Se há uma coisa forte e muito caprichada em Overwatch é a lore, se bem que já estamos acostumados com isso vindo dos games da Blizzard, mas Overwatch trouxe a tona questões e debates muito interessantes para os gamers, que é justamente um conceito cada vez mais forte no mundo dos jogos eletrônicos, a crítica social. Uma sociedade marcada pelo preconceito e pela guerra entre homem e máquina, esse é o principal território onde se passa a história de Overwatch. Só aqui já vimos conceitos como intolerância, medo do diferente, preconceito e até mesmo inteligência artificial e relação homem-máquina sendo abordados.  Todos esses problemas sociais estão no game e também são retratados na cinemática "Alive". Não, estes não são temas exclusivos de Black Mirror.

A questão da inclusão social também é um fator muito forte no game. A representatividade está presente em seus mínimos detalhes, a começar pela questão da xenofobia, um fator muito presente nos jogos online, principalmente quando se trata da relação americanos e latinos, ou até mesmo da má fama que os brasileiros possuem na internet. Cada herói de Overwatch é de uma nacionalidade, sendo possível encontrar um uma hacker mexicana, um DJ brasileiro, uma piloto de meka coreana, uma halterofilista russa e até mesmo dois ninjas japoneses. Outro assunto abordado no game é a questão da diversidade sexual, ou você não sabia que a mascote Tracer é lésbica? Existem idosos, mulheres fortes e magras, altas e baixas, homens negros, gordos, magros, musculosos, um robô monge, um robô com mais sentimentos do que muita gente por ai (Sim, estou falando do Bastion). A diversidade sempre foi uma das bandeiras balançadas por Overwatch e esse é um dos motivos de se comemorar o sucesso do game e seus dois anos de existência e crescimento.

Dentro do enredo temos questões familiares, personagens com conflitos internos, jogos de poder, escândalos políticos e até mesmo a ética na ciência é abordada. E se você acha que tudo isso é pouco, temos ainda uma brilhante arquiteta prodígio indiana e autista. Sentiu o poder?

A história de Overwatch, no entanto, não fica clara dentro do próprio game, e talvez essa seja uma sacada muito boa da Blizzard. Para se aprofundar no universo de personagens tão intensos como Widowmaker ou tão carismáticos como Mcree é preciso vasculhar o conteúdo extra ao game, como as cinemáticas que eventualmente são disponibilizadas no Youtube, ou as HQs gratuitas no site oficial do jogo. É impossível não se afeiçoar por um dos 27 heróis ou não se identificar com algum traço deles, seja por meio de suas interações durante as partidas (sim, eles interagem entre si independente dos jogadores, com diálogos que alternam espontaneamente de herói para herói) ou seja por meio das falas que os jogadores podem adquirir com as caixas de itens obtidas pela progressão de nível no game.

Competitivo 

Recentemente eu estava navegando pela internet, vendo coisas sobre Overwatch e me deparei com uma matéria que falava sobre a fórmula simples que a Blizzard havia implementado no jogo, mas que dera tão certo que o tornara viciante. A matéria se referia ao modo competitivo de Overwatch, um modo que eu levei pouco mais de um ano para começar a jogar e até hoje ainda me tira do sério. 

Dentro do competitivo existem as temporadas, com duração de dois meses (se não me engano), tempo utilizado para que os jogadores testem suas habilidades em partidas mais longas, pois visam colocar as duas equipes tanto na defesa dos mapas, quanto no ataque, podendo, diferentemente dos outros modos do jogo, resultar até mesmo em empate. Conforme os jogadores avançam nas ranqueadas (se tiverem sorte ou habilidade) cada vitória lhes concederá mais do que apenas progressão de ranking, garantindo uma pontuação única que poderá ser trocada pelas famosas armas de ouro. E o que são essas armas de ouro? Exatamente as mesmas coisas que as skins lendárias e os emojis de dança exclusivos dos eventos de aniversário, puro luxo, amor, puro luxo. Mas um luxo bem gostoso de exibir.

Uma das coisas interessantes sobre as temporadas dos competitivos são justamente as modificações no metagame. Para quem não conhece muito termos de jogo, meta seria o mesmo que uma receita do sucesso. Quando os jogadores descobrem uma combinação de valor e começam a utilizá-la para vencer continuamente essa combinação é denominada meta (uma explicação porca, mas está valendo). 

Sem dúvidas o modo competitivo de Overwatch é o que mais tem de chamativo no game. Mas cuidado ao ingressar no mesmo, este é um modo comprometedor e é levado muito a sério pela comunidade. Qualquer erro (mesmo que não de sua parte, como por exemplo uma queda de internet) pode resultar em penalidade, que varia de alguns minutos sem poder retornar ao competitivo até mesmo ao banimento permanente.

Atualmente um novo sistema será implementado em Overwatch, onde será possível criar grupos e buscar funções específicas para o mesmo. Os critérios de busca para os grupos serão estipulados pelos seus criadores, algo que pode variar entre função do jogador, nível ou nível de reputação (outro sistema que será implementado no game e que irá contribuir para a melhora da jogabilidade do mesmo).

Ainda no cenário competitivo, mas desta vez dentro do mundo profissional, Overwatch possui dois grandes eventos que reúnem os melhores jogadores de todo o mundo em competições que são verdadeiras aulas de estratégia, falo dos aclamados Overwatch League e gloriosa Overwatch World Cup, sendo esta última, onde a seleção brasileira participa.

Arcade

Na minha opinião um dos modos de jogo mais divertidos (se bem que enquanto escrevo está matéria estou passando muita raiva em Heróis Misteriosos),  o Arcade é um conjunto de minigames de Overwatch que modificam a mecânica tradicional do jogo e o transformam em algo sempre imprevisível. Alguns modos são frequentes no Arcade, como o já citado Heróis Misteriosos, onde a cada morte o game lhe entrega um herói aleatório para continuar a partida, podendo mesmo ser um herói repetido, mediante outro que alguém de sua equipe já possua. Caos total é também algo muito inusitado, onde todos os personagens possuem o dobro de vida e suas habilidades carregam muito mais rápido. Sem limites é quase como um modo tradicional do game, com a diferença de que os heróis podem surgir mais de uma vez na equipe, podendo até mesmo fechar um grupo inteiro com o mesmo herói (este é um modo sempre presente no lançamento de um novo personagem, visto que todo mundo acaba querendo experimentar a novidade).

Mas existem também os modos provenientes de eventos, que aparecem apenas uma vez ao ano e em datas específicas, como o evento de Tower Defense chamado Junkenstein, onde uma equipe de quatro jogadores precisa defender um castelo da invasão de robôs-zumbis. Ofensiva de Bola de Neve da Mei é um dos meus preferidos, onde duas equipes formadas apenas pela heroína Mei, são colocados com uma única munição e um único ponto de vida em um game de sobrevivência que na verdade é uma guerra de bola de neve. Caça ao Yeti também é um evento típico do Natal e coloca um jogador na pele do inteligente Winston em seu traje de Yeti contra um equipe de Meis que precisa caçar o primeiro antes que ele se alimente o suficiente para ficar forte e derrotar todas elas. 

São muitos modos diferentes, há modos de eliminação onde é cada um por si e deus por todos, há modos de pega bandeira. O que não falta no Arcade são opções para se divertir.

Conclusões

Passaram-se 2 anos desde o lançamento de Overwatch e o game continua em expansão, seja em conteúdo in game seja na comunidade. Não há como negar que se trata de um fenômeno mundial e menos ainda que se trata de um dos jogos mais inovadores e divertidos dos últimos anos. Sem dúvidas, o que mais nos faz amar este game é a sua estética única, a sua mensagem poderosa e a inclusão que está por trás de cada personagem. Hoje em dia, onde vivemos uma era de tempos sombrios, Overwatch é um game que nos mostra como é possível fazer com que algo divertido se torne também inspirador. 

Recomendado para pessoas de todas as idades, o game vai exigir em tempo integral o trabalho em equipe, a cooperação e acima de tudo paciência. Problemas como toxidade (que abordaremos em outro momento) e jogadores trolls existem aqui também, como em qualquer outra comunidade online, mas a cada dia perdem mais espaço visto tanto as ações da própria comunidade de Overwatch quando da Blizzard para reduzi-los ao máximo (visto ser impossível liquidar com esse tipo de comportamento, tão prejudicial em um momento que deveria ser de total descontração).

Para nos despedirmos, deixo-os acompanhados de uma das muitas cinemáticas abordam o enredo do game. Um grande abraço a todos e até a próxima.




1 comentário(s)
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Joke
2 meses atrás
Joguei bastante no lançamento mas depois que entrei pro competitivo comecei a me estressar demais, aí parei de jogar, kkkk. Hoje só jogo 4fun com os amigos.