Magic The Gathering: das mesas de lojas para o catálogo da Netflix

Dos mesões para a Netflix. Magic The Gathering, o mais influente jogo de cartas das duas últimas décadas expande seus horizontes com novas versões digitais e uma parceria inesperada com os diretos de "Vingadores: Ultimato", os Irmãos Russo.

27/06/2019 Última edição em 28/06/2019 às 09:26:59

 

O gigante dos TCGs

Magic The Gathering, ou simplesmente Magic, é um jogo de TCG (Trading Card Game) criado por Richard Garfield em 1993 e que até hoje conquista pessoas do mundo inteiro. Sendo considerado o jogo mais complexo do momento, Magic revolucionou os jogos de cartas e serviu de inspiração para o nascimento de outros produtos do mesmo seguimento como o HearthStone da Blizzard.

Dono de diversas mecânicas para os mais diferentes perfis de jogadores, formatos de jogos únicos que podem envolver duas ou mais pessoas em partidas sem hora para acabar (é sério, uma partida pode levar muito mais que uma hora) e uma lore própria com personagens carismáticos e tramas bem elaboradas, o jogo se consolidou como um ícone da cultura geek, recebendo campeonatos profissionais por todo o mundo e sendo responsável pelo sucesso de muitas lojas de jogos de mesa em diversas cidades.

Com sua última edição virtual, o Magic The Gathering Arena (disponível até o momento apenas para PC) o game conseguiu atingir a marca de um bilhão de jogadores, e segue em constante crescimento não somente com suas duas recentes edições, Guerra da Centelha e Modern Horizons, mas também almejando novas plataformas após a confirmação de uma série desenvolvida para a Netflix com direção de ninguém menos que os Irmãos Russo (Vingadores: Ultimato) em parceria com Yoriaki Mochizuki (Homem-Aranha no Aranhaverso). Aparentemente, no mundo dos planeswalkers o céu é o limite.

Uma história para muitos dias

Tentar explicar para alguém a história por trás de Magic é o mesmo que tentar explicar a teoria da relatividade (ou como Kingdom Hearts faz sentido). Com milhares de personagens, cada um com seu próprio histórico, aliados, inimigos, sonhos e frustrações, iríamos necessitar de muito mais do que uma matéria para contar um terço da narrativa. Mas não é difícil compreender o universo onde Magic é ambientado, o próprio nome do jogo já nos dá uma ideia. Estamos diante de um universo de fantasia, ou melhor, um multiverso, isso porque Magic conta a história de diversos planos, tendo como o centro dessa história personagens que possuem o dom de viajar entre esses planos, os planeswalkers, ou na tradução para o português, os planinaltas.

Entre estes planeswalkers existem as mais variadas personalidades impressas nos mais diversificados perfis. Magic possui desde elfos, humanos, dragões, demônios e vampiros até raças próprias de sua mitologia, como os soratami, cidadãos-da-lua do plano Kamigawa ou os azulados vedalkeanos do plano Kaladesh (o meu favorito).

Certamente nem mesmo a Netflix conseguiria abranger em duas das temporadas já confirmadas para a série a proporção colossal que a história de Magic alcançou, por este motivo, dado a imagem promocional da nova empreitada da empresa de streaming mais assinada do país, podemos pressupor que o tema a ser abordado são os sentinelas, a Gatewatch. Falemos um pouco sobre eles.

A começar por um dos fundadores, Gideon Jura, um corajoso e destemido mago branco com um senso de honra e justiça inabalável, membro da Ordem de Heliud. Em uma de suas muitas missões Gideon foi posto no encalço de uma sorrateira piromante, Chandra Nalaar, e ao invés de capturá-la e entregá-la aos seus superiores, tornou-se seu aliado, passando a enxergar os problemas que haviam dentro de sua Ordem. Após este evento, Gideon Jura iria se deparar com um dos maiores desafios de sua vida, os seres destruidores de mundos, Eldrazi.

Jace Beleren, o temível mago azul, manipulador de mentes e controlador de ilusões, era desde sua infância um exemplo nato de futuro promissor. Grande parte do que aprendera nessa época fora ao lado de sua mestre, Alhammarret, uma esfinge, mas essa se mostrou traiçoeira e manipuladora, usando de Jace para atingir seus próprios objetivos. Após a desafiar, Jace decidiu que trilharia seu próprio caminho, e em uma de suas muitas jornadas acabou por encontrar a possível destruição do plano Zendikar pelos Eldrazi. O especialista de magia mental, curioso e sedento por conhecimento, jurou se unir ao grupo dos Sentinelas ao lado de heróis como Gideon Jura, e daquele momento então passou a ser um dos planeswalkers que lutaria pela proteção do multiverso.

Voltemos a Chandra Nalaar, um personagem explosivo (em vários sentidos) de cabeça quente (também em vários sentidos), mas com um espírito rebelde e aventureiro fácil de nos cortejar. Chandra já foi uma párea, tendo sua família perseguida pelo governo de seu plano e uma sentença de morte pondo a prêmio sua cabeça. Após esse episódio conturbado de sua vida, uniu-se a monges com habilidades similares as suas, mas com temperamentos opostos, onde aprendeu (ou ao menos tentou) a controlar seus impulsos e trabalhar seu gênio forte. Chandra foi uma das que se uniu aos Sentinelas algum tempo após ter deixado seu aprendizado com os monges piromantes.

Nissa Revane é a elfa dos Sentinela, sendo nitidamente a que possui maior interesse em salvar Zendikar dos Eldrazi. Dominadora da magia elemental, dona de dons poderosos e uma ligação íntima com a própria natureza, Nissa aprendeu grande parte de sua magia com a própria terra, com a própria Zendikar, após ser expulsa de sua vila élfica por ser diferente dos demais. Recebendo a missão de Zendikar de expurgar os Eldrazi de seu plano, Nissa tentou e falhou, partindo pelo multiverso em busca de aliados com quem pudesse contar, assim se unindo aos Sentinela. Posteriormente Nissa também encontraria mais que amigos dentro dos Sentinela, ao desenvolver sentimentos correspondidos pela piromante Chandra Nalaar.

Estes são os membros fundadores dos Sentinela, da Gatewatch, e embora outros planeswalkers venham a adentrar o grupo, como o mago temporal Teferi e ladina com habilidades espirituais Kaya, não acredito que seja esta a formação visualizada inicialmente na versão da Netflix, mas certamente alguém que vem atraindo muita atenção ultimamente e que adentrou os Sentinelas pouco depois da formação inicial, deve aparecer. Eu não poderia fechar essa matéria sem antes lhes apresentar Liliana Vess.

Liliana é o clássico exemplo de anti-herói que toda boa história precisa ter. Se Joseph Campbell pudesse lhe dar um rótulo segundo seus arquétipos de Jornada do Herói, certamente seria o de camaleão, aquele personagem que você não consegue decidir se é amigo ou inimigo, assim como Jace Beleren não deve conseguir (eles dois já tiveram um romance). Liliana era uma aprendiz de clériga quando jovem, mas após tentar ressuscitar seu irmão com uma flor alterada por magia necromântica e ver uma tragédia se formar em sua família, Liliana partiu em busca de seu próprio caminho para se tornar uma necromante de poderes imensuráveis e conseguir vencer aquilo que mais lhe assombrava, a morte.

Ao conseguir um contrato com quatro demônios impulsionado pelo majestoso dragão Nicol Bolas, Liliana teve o poder e beleza eterna que sempre desejara, mas isso lhe custou algo que para ela não tinha preço, sua liberdade. Posteriormente usando de seus aliados, os Sentinelas, Liliana caçou e matou um a um dos demônios com quem possuía um pacto para se ver livre e independente, mas no fim acabou tendo que responder ao chamado de quem planejara tudo com muita antecedência, o próprio Nicol Bolas. Forçada a trair os Sentinelas, Liliana iria liderar um exército de mortos conhecidos como A Horda Medonha, para tomar o controle do plano de Ravnica para o dragão e assim concluir seu plano, mas isto se passa atualmente, durante a controversa Guerra da Centelha, e todas as apostas atualmente para a adaptação da Netflix estão na história de Zendikar e a batalha contar os Eldrazi (assim esperamos).

Tá. E o jogo?

Assim como a história de Magic é rica e cheia de detalhes e reviravoltas, assim é também uma partida de Magic. É interessante começar a contar um pouco sobre esse universo por intermédio da Gatewatch porque cada um dos cinco membros que citamos possui exatamente uma das cores nas quais o jogo é dividido. Vamos conhecê-las.

Dependendo do formado que você decidir jogar, as regras de uma partida de Magic são diferentes. Alguns formatos como o standard permitem quatro cópias de uma carta por deck (baralho) e não possuem limite máximo de cartas, apenas mínimo (sessenta) enquanto outros formatos, como o commander, exigem um máximo de cem cartas por deck e apenas uma cópia de cada carta, com exceção dos terrenos. Mas o que são os terrenos?

Os terrenos básicos de Magic se dividem em Planície (branco), Ilha (azul), Montanha (vermelho), Floresta (verde) e Pântano (preto), assim como as cores dos membros dos Sentinelas. A construção de um deck de Magic gira em torno da escolha da cor com a qual cada um quer jogar, sendo possível fazer qualquer combinação. Cada cor possui um estilo de jogo próprio, algumas são mais agressivas e tentam chegar a vitória no menor tempo possível, como o vermelho, outros são mais cautelosos e procuram controlar as jogadas de seus próprios oponentes para poder ganhar a partida, como o azul. Há decks que podem focar em uma única cor e abusar de suas características, outros podem misturar duas cores ou mais para combinar os pontos fortes de cada estilo e dar forma a um estilo de jogo único, somado com as mecânicas que são inseridas a cada nova coleção de cartas e aos mais variados formatos de cartas como criaturas, encantamentos, feitiços e artefatos, não é de se estranhar que Magic seja um jogo tão complexo.

Dúvidas sempre vão existir. Sempre vai acontecer de se deparar com uma situação onde um ou até mesmo todos os jogadores envolvidos em uma partida vão se ver em uma encruzilhada sobre como determinada carta ou situação vai se resolver, mas felizmente o que não falta são respostas para as perguntas em torno de Magic. Das páginas de redes socais a sites especializados, como o Liga Magic, a internet é constantemente inundada por fóruns e grupos de debates sobre Magic, onde sempre será possível encontrar um tópico com a mesma pergunta que a sua.

Cartas avulsas, booster e produtos temáticos também são facilmente encontrados. Até mesmo lojas como Magazine Luiza comercializam os produtos Magic, mas sem dúvida entrar no site oficial e tentar localizar uma loja especializada é a melhor forma de obter um ponto fixo e confiável de compra e também de estabelecer laços, criar amizades e se inteirar sobre campeonatos locais (ocorrem muito, mesmo em lojas pequenas) ou até mesmo o macrouniverso de Magic, como as Mythic Championshipp que ocorrem mundo a fora (com prêmios avaliados em milhões de dólares).

Magic pode não ser um jogo barato. Qualquer jogador, casual ou competitivo, vai lhe confirmar isso. É possível encontrar cartas de R$0,10 assim como é possível encontrar cartas de mais de R$25 mil (Olá Black Lotus, estou falando de você). Mas há sempre um formato ideal para seu perfil e interesse apenas esperando para ser dominado, e ainda existe a nova opção do Magic Arena, onde sem gastar nenhum único centavo é possível jogar de sua casa com pessoas de todos os lugares e ter deck de mais de R$8 mil sem ter colocado um dígito de seu cartão de crédito no software.

Obviamente tudo o que falei sobre Magic até aqui não representa nem 1% do que esse jogo realmente é, nem se quer na história, nem se quer na explicação pobre que demos sobre as regras do jogo. Mas como uma forma de introdução para este jogo, que a cada momento se torna mais falado e mais visado na indústria geek, esperamos que tenha sido proveitoso este brevíssimo resumo sobre o TCG mais fascinante da atualidade. E para deixá-lo com um gostinho do que está vindo por aí, os deixo na companhia de Liliana Vess ao som de In The End. Nos vemos por aí, jovem planeswalker.




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