Ghost Recon: Wildlands abandona táticas militares pelo caos de Just Cause

Menos tático e mais selvagem.

12/02/2017 Última edição em 10/04/2017 às 18:02:53

Lendo a descrição do Ghost Recon: Wildlands, não soa tão diferente de seus antecessores.

"Viaje para as altas montanhas da Bolívia para quebrar a aliança mortal entre Santa Blanca e os cartéis peruanos. Experiência de total liberdade de escolha em Tom Clancy Ghost Recon Wildland, o atirador militar situado num cenário imenso de mundo aberto."

Até aí, nada de novo, já que no passado visitamos a Nicaragua através de Future Sodier e, um pouco antes disso, o México em Advanced Warfare.

Mas não me recordo de derrubar um helicóptero inimigo e aterrizar o meu sobre ele em qualquer um dos títulos anteriores, isso é novo.

Qual o problema?

Lembram que, quando Raibow Six Siege foi apresentado, os fãs da série reclamaram pela diferença com a série tradicional? Em Wildlands, provavelmente teremos o mesmo, sendo que multiplicados umas dez vezes.

Wildlands não é um jogo ruim. Mas, sinceramente, eu não consigo imaginar os fãs da série felizes com ele. Mesmo eu não tendo jogado tanto, tenho boas lembranças dos Ghost Recon mais antigos, eles apresentaram um olhar interessante da guerra no século 21, e isso bem antes de Call of Duty Modern Warfare .

Peraí, e onde está essa comparação com Just Cause? Bem, você há de concordar que Just Cause não é um jogo militar, ainda mais considerá-lo sério.

Wildlands pega a estratégia e opções de abordagem de suas raízes táticas, por exemplo, temos um ciclo contínuo dia e noite para que assim você possa agir durante o dia ou tentar uma abordagem mais furtiva durante a noite, quando a presença da vigilância pode ser menor. Sim, é um pouco mais sério do que a fantasia de poder  apresentada em Just Cause.

Mas em sua mudança para um mundo aberto, fazer qualquer coisa, sequestrar qualquer coisa, matar qualquer coisa, a série Ghost Recon tem sorte se não perder a vibe  característica que o nome oferecia antes. Mas o resultado é algo completamente diferente. Novamente, não necessariamente ruim , mas certamente diferente do que eu esperava.

Por exemplo, em uma das missões iniciais, você deve se infiltrar em uma base inimiga, arrombar uma cela e resgatar um dos líderes rebeldes. Você pode fazer isso seguindo o padrão Ghost Recon, lenta e furtivamente, usando silenciadores e verificando cada canto, removendo os inimigos um a um, sendo auxiliado por atiradores.

Ou você pode fazer o que eu fiz: pular em um trator, dirigir diretamente para a base, chutar um guarda onde dói e executar uma matança nada furtiva, resgatar o rebelde, colocá-lo na traseira do trator e fugir de lá a 10 km por hora.

Esse é o tipo de ação que eu esperaria ter e rir em Just Cause, mas não em um título Ghost Recon. O problema é que, uma vez que o "Resgate de um rebelde é realizado com um único trator" e se mostra viável, é difícil retornar à fórmula lenta e furtiva.

Joguei apenas na dificuldade Normal, e somente nas áreas inicias (o que é presumivelmente mais fácil), então talvez ajustando a dificuldade e em missões mais complexas possa haver a necessidade de planejamento. Mas nesse beta, era muito mais comum vermos quatro jogadores saírem de helicóptero indo direto para uma base inimiga do que ver algum planejamento. A julgar pelos risos que se ouviam de algum jogador com microfone aberto, posso dizer que outros compartilham da minha opinião.

O problema que vejo nesse Ghost Recon não são as semelhanças com Just Cause. Na verdade, ele apresenta elementos do Just Cause original, mas com um senso de "realismo" particular e uma história mais séria, o que é um completo desacordo com o tipo de ação na qual pode se envolver. É um terreno meio estranho que a Ghost Recon: Wildlands está trilhando, vejo medo de abandonar suas raízes, mas mantém elementos frívolos para manter os fãs de longa data.

Bem, Rainbow Six Siege pode não parecer muito com um jogo tradicional da série Rainbow Six, mas pelo menos compartilhou princípios básicos: mova-se lentamente, observe seus cantos, a morte vem rapidamente e sem perdão. Já em Ghost Recon: Wildlands, percebi semelhanças de jogabilidade com Just Cause ou até Far Cry, e ali apenas vi se utilizar da seriedade das histórias contadas na série Ghost Recon.

Ghost Recon é muito divertido, ao menos se mostrou por algum tempo, e seria melhor se não fosse envolvido o título Ghost Recon. E eu estou um pouco preocupado com a longevidade do jogo. Em contraste com Watch Dogs 2, que surpreendeu com seu estilo despojado, contrastando com sua estrutura de suas missões, Ghost Recon está no estilo Ubisoft de velhos milhões de ícones espalhados por um mapa gigantesco. Suprimentos para marcar, armas para pegar, missões de posto avançado, está tudo lá. 

Apesar do pouco tempo que tive para experimentar do Beta, tive várias experiências divertidas que gerariam boas histórias. Mas sou conhecido por gostar do gênero furtivo e assumo que fã da série Splinter Cell (me perdoem os fãs de Metal Gear). Mas, assim como em The Division, não acredito que a Ubisoft tenha acertado nesse jogo, e tampouco que ele seja da franquia Ghost Recon e mereça também o título de Tom Clancy. Veremos.

Indiferente a isso, Ghost Recon Wildlands será lançado dia 07 de março, onde teremos uma ideia melhor de como o jogo se mantém, assim como a oportunidade de explorar melhor essa Bolívia.




1 comentário(s)
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Joke
2 meses atrás
Show a postagem! Referente ao jogo, depois de ler realmente me veio a cabeça o FarCry, é parecido em vários aspectos. Ainda não joguei o Wildlands, fiquei interessado justamente pelo gameplay cooperativo e pela liberdade do mundo sandbox. Não joguei os Ghost Recons antigos, então creio eu que pra mim o peso dessa mudança não será significativo, talvez por isso que a Ubisoft esteja migrando um pouco a pegada do jogo, pra tentar atingir um público maior e faturar mais, querendo ou não a maioria das empresas querem isso no fim das contas, money.