Brasil, um lugar inviável para se exibir animes

Confere aí!

04/02/2015 Última edição em 04/02/2015 às 00:00:00

Você tem alguma noção de por que os canais abertos de televisão no Brasil deixaram de exibir em sua programação animes e desenhos animados? Imagina que a falta de planejamento é o principal fator disso, porém irei demostrar outros detalhes aqui nesta postagem.


 

Planejamento e divulgação

O vasto abismo entre os licenciantes de animes e os de desenhos animados ocidentais é o primeiro fator. Enquanto o primeiro apenas oferece suas atrações, o segundo cria uma enorme estratégia de lançamento e já prepara a venda de produtos relacionados, como cadernos, bonecos, brinquedos, álbuns etc.

Na divulgação dos animes aqui no Brasil, não existe por parte das importadoras uma coordenação de eventos para tornar o anime popular, ou seja, antes de trazer um anime, deve-se levar em conta o mangá ou a origem dele, fazer divulgação na mídia sobre aquele produto, conscientizar sobre qual a faixa etária adequada aqui no Brasil e pensar nos produtos de sucesso que sairão junto com o anime. A Panini tem ensinado às outras editoras como se deve lançar um mangá no Brasil, porém a versão animada dessas obras não teve o mesmo tratamento. Será que planejar é tão complicado?

Quando se lança um anime, o esperado é que o público se volte ao mangá para acompanhar os acontecimentos e, assim, que a companhia distribuidora consiga adquirir receita vendendo seus produtos. Em contrapartida a este fato, a Walt Disney mostra, por sua vez, como se deve realizar o marketing de um produto. O seu marketing é perfeito, pois antes mesmo do desenho ser lançado as pessoas já estão adquirindo seus itens.
 


 

Será então que os canais de TV são os vilões? Será que são eles que não desejam exibir os animes? Tenho certeza que não.

Não podemos culpar as empresas por não quererem a exibição de animes, afinal, quase 100% dos animes são violentos e não se enquadram em nossa legislação vigente, ou seja, são totalmente contra os valores familiares. Parece que as distribuidoras do Brasil somente trazem animes com violência e sedução, ou seja, apenas trazem shōnen com bastante lutas e sangue e/ou mahō shōjo. Aí vem a resposta básica: nenhuma empresa vai patrocinar um programa que saia da “moral e os bons costumes” que toda família brasileira possui.

No século XXI, não é mais possível exibir um personagem arrancando uma orelha do inimigo ou decepando o seu braço dentro da programação diurna. O controle do que é exibido na televisão brasileira está cada vez maior, ainda mais se tratando de programas infantis. Caso uma empresa ultrapassasse esse limite, o governo aplicaria altas multas e, caso a programação fuja dos horários previstos pela classificação indicativa, a concessão poderá ser suspensa.

Em todo o continente da América, tem ocorrido a mesma situação de classificação indicativa que ocorre aqui no Brasil, porém aqui as leis são bem mais rígidas. Neste caso, ocorre que os animes já chegam editados, pois possibilitam uma maior chance de os canais terem interesse em adquirí-los, mas obviamente perdemos muito da história. Enquanto isso, os desenhos desenvolvidos para os canais como Cartoon Network e Nickelodeon não sofrem estas multas ou tem episódios banidos, pois desde o inicio foram produzidos dentro do conceito de programação infantil que nós utilizamos.
 

Lucro Empresarial das Distribuidoras

O governo brasileiro sempre está atrapalhando a televisão como um todo de exibir animes e desenhos, depois de impedir que desenhos violentos sejam exibidos, agora irá proteger as crianças dos comerciais indesejados. Era bastante complicado conseguir patrocínio para se exibir animes, imagine se eles não puderem vincular sua marca ao que está sendo exibido com as propagandas de seus produtos. Os canais abertos do nosso país não são feitos para caridade, todos eles têm custo, precisam de dinheiro, e assim acabam se tornando vitimas do sistema capitalista.

Como resultado óbvio de toda esta burocracia e sistema de leis inúteis, entendo que no Brasil é mais fácil você remover qualquer quadro de anime ou desenho da programação e substituir por um programa de entretenimento que possa vender seus produtos, assim o sistema irá fluir novamente com facilidade sem ter que se encaixar na “Classificação Livre”.  




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